Domingo, 08/07/2012, 06h54
Dez dias se passaram e a população do município de Baião não consegue esquecer os oito terríveis segundos que viveram no último dia 29 de junho. O tremor de terra foi sentido em boa parte da região do Baixo Tocantins, às 09h.
As pessoas que moram no conhecido bairro Novo, na periferia de Baião, e nas vilas do Taperuçu, Umarizal, Araquembaua e assentamentos de colonos ao longo da rodovia Transcametá ainda permanecem sem notícias do que realmente aconteceu naquela misteriosa sexta-feira.
No Centro de Pós-Graduação em Geologia da Universidade Federal do Pará (UFPa), o professor Cristiano Mendes, ouvido pelo DIÁRIO, informou que no Pará existe apenas um sismógrafo eletromagnético na universidade cuja estação esta desativada até pela falta de um espaço. “Embora o aparelho registre os ruídos, ele tem apenas efeito didático, não é para monitoramento permanente”, afirmou o professor.
O professor acredita que o abalo sísmico na região do Baixo Tocantins pode ser atribuído a uma acomodação do solo por conta da Hidrelétrica de Tucurui. Ele afirmou que no local deveria haver uma estação sismográfica para prever este tipo de fenômeno. “Em Belo Monte foram solicitadas estações, que deverão ser instaladas distantes dos canteiros de obras, para monitorar a construção da hidrelétrica”, disse o professor Cristiano.
Segundo apurou o DIÁRIO, na UFPa, o especialista responsável por interpretar o aparelho, Lourenildo Leite, que tem doutorado em Sismologia, está na Alemanha e por este motivo o tremor sentido pelos moradores de Baião e Mocajuba acabou não sendo captado em Belém.
No entanto, estações sismológicas de outros Estados registraram o tremor de terra em Baião. A Rede Sismográfica do Nordeste do Brasil, instalada no município de Morrinhos no Ceará, registrou o sismo com magnitude calculada por NBMO de 3.4 na escala Richter.
Dados preliminares da Rede Sismográfica do Nordeste confirmou que no dia 29, com horário local de 09h18, o tremor teve o epicentro local há cerca de 20 Km da cidade de Baião e a 200 Km de Belém, mas acabou sendo sentido num raio de 100 Km.
As populações, principalmente as ribeirinhas dos municípios de Baião, Mocajuba e Tucurui, onde foram sentidos os abalos, tentam voltar à normalidade. “Aqui não apareceu ninguém da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros pra tranquilizar a gente e dizer o que aconteceu em nossa vila”, disse por telefone o pescador Antonio Martins, morador da vila do Umarizal.
SISMÓGRAFO
O sismógrafo é um aparelho que registra sismos, permitindo determinar a direção das ondas sísmicas, a hora da chegada e a sua intensidade feita na escala Richter. O aparelho que existe na Universidade Federal do Pará é do modelo eletromagnético da marca Sprengnether.
No modelo existente no Pará se usa um amortecimento eletromagnético, obtido com uma lâmina de cobre que se move no campo de um par de ímanes permanentes, facilitando a leitura do sismo.
(Diário do Pará)
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