Quarta-feira, 27/06/2012, 03h39
A Polícia Civil do Pará pediu, na última segunda-feira (25), a prisão preventiva de 11 pessoas suspeitas de participar da invasão a escritórios do setor administrativo do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), ocorrida no último dia 16, durante o seminário “Xingu + 23”, em Altamira. O pedido aguarda o parecer do Ministério Público Estadual (MPE). Oito dos citados devem prestar depoimento hoje à polícia do município.
Apesar dos rumores que circularam pela internet durante todo o dia de ontem, dando conta da decretação da prisão dos ativistas, dentre os quais integrantes e assessores do Movimento Xingu Vivo para Sempre e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) – grupos contrários à construção da Usina de Belo Monte -, a informação foi negada pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) que assessora o Movimento.
De acordo com o advogado Sérgio Guedes do SDDH, a decisão da justiça só deve sair após o parecer do Ministério Público em Altamira. “A Polícia Civil entrou com a representação de prisão das 11 pessoas no Judiciário que agora aguarda a manifestação, favorável ou não, do Ministério Público. O que a gente lamenta é essa representação da Polícia Civil, já que as imagens que foram mostradas à defesa não se constituem efetivamente como provas, uma vez que não há identificação das pessoas”, explica o advogado.
A polícia, que abriu inquérito para investigar o caso, acredita que as onze pessoas apontadas planejaram e comandaram a ação de invasão no escritório do Consórcio Norte Energia, mas a defesa acusa a polícia de imparcialidade. “Não recebemos a notícia da representação de prisão com surpresa porque esse tem sido o tratamento dado pela polícia aos movimentos sociais na região. Trata-se de uma repressão ao direito constitucional de livre manifestação. Em relação ao trato dos movimentos sociais, o que vemos é uma animosidade e imparcialidade”, declarou Sérgio Guedes, que reclamou da dificuldade que a defesa vem tendo para acessar todas as peças do inquérito.
“É difícil até falar de alguns detalhes porque não tivemos acesso aos autos e o inquérito sequer corre em segredo de justiça”. O pedido de habeas corpus preventivo, protocolado pela defesa na sexta-feira, 22, recebeu parecer favorável do Ministério Público, mas foi negado pela justiça na segunda-feira, 25. O presidente da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Marco Apolo Leão, que atua na defesa dos militantes, está em Altamira acompanhando o caso de perto.
Por telefone, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que o caso é comandado pelos delegados Selma Sarquis e Cristiano Nascimento, superintendente da Polícia Civil na região do Xingu e que aguarda a decisão da Comarca de Altamira. A assessoria destacou que os pedidos de prisão se fundamentam nas investigações que identificaram os citados como as pessoas que teriam comandado e coordenado a invasão que resultou em danos a materiais de escritório do CCBM , como computadores, e furto de celulares e notebooks.
As obras do canteiro Pimental, invadido por cerca de 150 índios na última quinta, continuam paralisadas. Uma reunião entre os indígenas e a Norte Energia, empresa responsável por Belo Monte, está prevista para amanhã.
(Diário do Pará)
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