Quarta-feira, 27/06/2012, 03h19
De acordo com dados do último censo, a população do país está envelhecendo rapidamente. Enquanto outros grupos que englobam as demais faixas-etárias diminuíram, de 1991 para 2010, a parcela da população com mais de 65 anos cresceu 2,6%, o que representa hoje cerca de 14 milhões de brasileiros. Em um país com uma população significativa de idosos, parece absurdo pensar que, após anos de trabalho e serviço à sociedade, muitos que já atingiram a terceira idade ainda precisam superar a forte discriminação que vem da mesma.
Preconceito que, na maioria das vezes, se manifesta na forma de violência, humilhação e negligência de cuidados. Um problema absurdo, mas real e que precisa ser enfrentado. Pensando nisso, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), em parceria com o Ministério Público Estadual, Delegacia do Idoso, CTBel, Samu e outros órgãos de promoção social, realizou ontem pela manhã, em Belém, um debate sobre prevenção de acidentes e combate à violência contra a pessoa idosa, relembrando o último dia 15 de junho, quando foi comemorado o Dia de Conscientização da Violência Contra a Pessoa.
Maisa Gomes, coordenadora da Referência Técnica de Morbimortalidade contra Acidentes e Violências da Sesma, afirma que cuidado e informação são as principais medidas que devem ser adotadas para diminuir o número de idosos em situação de vulnerabilidade. “Os idosos são vítimas de violência doméstica, no trânsito, intrafamiliar... É importante realizar ações integradas como essa para nós termos várias visões sobre o problema e prevenir que esse tipo de situação ocorra”, fala a coordenadora.
Segundo o promotor público Waldir Macieira, é fundamental que a população tome iniciativa e busque a Justiça para combater a violência, nem sempre aparente, contra a pessoa idosa. “Omissão familiar é a forma de violência mais comum. Muitas vezes, filhos, netos e cônjuges agem de forma negligente, não prestando cuidados necessários e agravando a situação de saúde dos idosos. Esses idosos acabam vítimas de maus-tratos, por exemplo, quando são impedidos pela própria família de gerir o patrimônio que demoraram anos para construir”, explica o promotor.
Apenas em Belém, segundo Maisa Gomes, cerca de 80 mil pessoas estão cadastradas nos diversos serviços de orientação, auxílio e promoção à vida do idoso oferecidos na cidade.
(Diário do Pará)
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