Quinta-feira, 21/06/2012, 02h04
Morte, perplexidade e mistério marcaram a madrugada de quarta-feira (20), no pacato condomínio residencial de classe média alta Amazon Garden, localizado na rodovia BR 316, no km 05. O comerciante Sérgio da Costa Caldeira, 45 anos, foi encontrado morto por volta da meia-noite, dentro de sua própria casa. Se para a família a palavra suicídio respondia a tragédia particular que viviam, para a Polícia Civil o caso apresentou mais perguntas do que respostas.
Familiares declararam que Sérgio teria chegado por volta das 19h em casa, mais calado que o habitual e com um semblante tristonho. Depois teria ido para perto da piscina e começado a olhar umas fotos, de onde a esposa, supostamente a única pessoa que estava com ele na casa, teria ouvido dois disparos. A família não soube dizer se a arma já estava na casa ou se foi trazida por ele de outro lugar.
A arma foi encontrada próximo ao local do crime, numa posição que poderia fazer os peritos confirmarem a hipótese de suicídio, se aparentemente dois tiros não tivessem sido disparados. Esses e outros fatores ainda não revelados fizeram com que os peritos trabalhassem por quase três horas no local do crime, algo não muito usual em circunstâncias de suicídio.
“Precisamos esperar o resultado da perícia, que sai em 10 dias, para termos uma posição mais concreta se foi suicídio ou homicídio”, declarou a delegada Jaine Pastana, titular da Delegacia de Polícia do conjunto Julia Seffer. O caso foi registrado na Seccional de Ananindeua.
Encontros e desencontros: fonte informou que cena do crime foi alterada
Nos deparamos com o carro da Divisão de Homicídios rumando para o local, ainda na avenida Almirante Barroso. Entramos em contato com a Delegacia de Homicídios e recebemos informação de que se tratava de um assassinato.
Depois recebemos a informação que um filho de Sérgio foi quem acionou a Divisão de Homicídios.
O DIÁRIO foi a única equipe de reportagem que chegou próximo a casa do comerciante. No local, fomos informados de que a situação era de suicídio.
Chegamos logo após uma viatura da Polícia Civil. Assim que a delegada Jaine Pastana desceu do carro, antes mesmo de chegar ao local do crime, nos informou que a família não queria a presença da imprensa.
A nossa equipe então foi convidada a se retirar das dependências do condomínio. Já no lado de fora, cerca de 40 minutos depois, o furgão do “Local de Crime” passou pelos órgãos de imprensa. Dentro dele o delegado da Divisão de Homicídios Lenoir Cunha, sempre solícito com a imprensa, não quis nos atender.
Minutos depois entramos em contato com o telefone interativo da Divisão de Homicídios e fomos informados que o delegado Lenoir deixou o recinto porque a delegada Jaine Pastana assumiria o caso.
Ao deixar a casa do comerciante, já fora do condomínio, a delegada nos confirmou que a esposa de Sérgio ouviu dois disparos. Mas não confirmou, mesmo após todas as horas de trabalho da perícia criminal, sequer a informação de que um ou dois disparos foram efetuados.
Uma fonte anônima declarou que ao chegar no local avaliou que a cena do crime estava nitidamente alterada. Isso antes da chegada dos peritos criminais.
(Diário do Pará)
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