Sábado, 16/06/2012, 07h24
Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, durante a Conferência Rio + 20, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que a Amazônia é um modelo hoje ao resto do país e que pretende tirar todos os municípios da lista suja do desmatamento.
D – Qual o papel que a Amazônia tem hoje na discussão ambiental?
M – A Amazônia tem um papel primordial para q
Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, durante a Conferência Rio + 20, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que a Amazônia é um modelo hoje ao resto do país e que pretende tirar todos os municípios da lista suja do desmatamento.
D – Qual o papel que a Amazônia tem hoje na discussão ambiental?
M – A Amazônia tem um papel primordial para qualquer discussão sobre sustentabilidade, principalmente por causa dos atores sociais envolvidos, o próprio povo amazônico, que consegue proteger mais de 80% da floresta. A região hoje é um modelo que sinaliza novos caminhos para o resto do País, num cenário que é completamente diferente de 20 anos atrás.
D – Como a senhora avalia o programa Municípios Verdes?
M – É uma boa iniciativa que avança no combate ao desmatamento, a partir de uma prática sustentável. E é importante porque mostra que o Cadastro Ambiental Rural é uma excelente ferramenta nesse processo. O modelo de Altamira pode ser ampliado.
D – Há a possibilidade desse programa ser espalhado aos outros estados?
M – Sim, dentro das características peculiares de cada um. Mas o que o Governo quer é eliminar a lista suja do desmatamento. Esse é o objetivo maior.
Economia verde e direitos indígenas
O caminho para uma economia verde deve passar por medidas que limitem o crescimento. É o que defende o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e atual presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa. “É preciso regras e medidas para impor limites a esse tipo de crescimento que beneficia a poucas pessoas”, disse Fraga durante o debate ‘Diálogos Sustentáveis: caminhos para a economia verde’, evento que faz parte da da Conferência Rio + 20.
O debate contrapôs as ideias de Fraga aos do professor da Universidade de São Paulo, Ricardo Abramovay, e do professor de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Surrey, Tim Jackson.
A grande questão, segundo Abramovay, é a desigualdade. “Ela tem de ser vista de forma material. A humanidade extrai 60 bilhões de toneladas de material por ano. Então, a pergunta é se precisamos de crescimento. Se precisamos, que tipo de crescimento?”.
O professor da USP critica, por exemplo, o incentivo do Governo Federal à indústria automobilística. “O carro já foi vanguarda. Hoje é retaguarda. Os carros estão destruindo o tecido urbano. Não precisamos desse tipo de crescimento, nem de alimentos que irão produzir obesidade”.
É o que o professor Tim Jackson classificou de ‘obsessão do consumo’. “Até 2030 teremos cinco bilhões de pessoas na classe média no mundo todo. São pessoas com alto padrão de consumo. Como evitar essa corrida desenfreada ao consumismo é o desafio”.
CÚPULA
“Precisamos ampliar a luta por nossos direitos”. Foi com essa disposição que a índia Sônia Guajajara iniciou a reunião de apresentação dos povos indígenas na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência Rio + 20. Membro da direção nacional da APIB, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara enfatizou o impacto dos grandes projetos sob a sigla do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) aos índios brasileiros. “Nossos direitos têm sido atropelados e retalhados”.
Cerca de 280 povos indígenas estão representados na Cúpula dos Povos. Irão montar o Acampamento Terra Livre (ATL), a principal forma de mobilização do Movimento Indígena Brasileiro, em eventos grandiosos.
A ideia é discutir, por exemplo, os impactos dos grandes projetos, como hidrelétricas, hidrovias e direitos sobre o uso da terra. “A partir das discussões iremos elaborar um documento que reúna as principais demandas discutidas na Cúpula dos Povos”, disse Guajajara.
(Diário do Pará)
ualquer discussão sobre sustentabilidade, principalmente por causa dos atores sociais envolvidos, o próprio povo amazônico, que consegue proteger mais de 80% da floresta. A região hoje é um modelo que sinaliza novos caminhos para o resto do País, num cenário que é completamente diferente de 20 anos atrás.
D – Como a senhora avalia o programa Municípios Verdes?
M – É uma boa iniciativa que avança no combate ao desmatamento, a partir de uma prática sustentável. E é importante porque mostra que o Cadastro Ambiental Rural é uma excelente ferramenta nesse processo. O modelo de Altamira pode ser ampliado.
D – Há a possibilidade desse programa ser espalhado aos outros estados?
M – Sim, dentro das características peculiares de cada um. Mas o que o Governo quer é eliminar a lista suja do desmatamento. Esse é o objetivo maior.
Economia verde e direitos indígenas
O caminho para uma economia verde deve passar por medidas que limitem o crescimento. É o que defende o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e atual presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa. “É preciso regras e medidas para impor limites a esse tipo de crescimento que beneficia a poucas pessoas”, disse Fraga durante o debate ‘Diálogos Sustentáveis: caminhos para a economia verde’, evento que faz parte da da Conferência Rio + 20.
O debate contrapôs as ideias de Fraga aos do professor da Universidade de São Paulo, Ricardo Abramovay, e do professor de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Surrey, Tim Jackson.
A grande questão, segundo Abramovay, é a desigualdade. “Ela tem de ser vista de forma material. A humanidade extrai 60 bilhões de toneladas de material por ano. Então, a pergunta é se precisamos de crescimento. Se precisamos, que tipo de crescimento?”.
O professor da USP critica, por exemplo, o incentivo do Governo Federal à indústria automobilística. “O carro já foi vanguarda. Hoje é retaguarda. Os carros estão destruindo o tecido urbano. Não precisamos desse tipo de crescimento, nem de alimentos que irão produzir obesidade”.
É o que o professor Tim Jackson classificou de ‘obsessão do consumo’. “Até 2030 teremos cinco bilhões de pessoas na classe média no mundo todo. São pessoas com alto padrão de consumo. Como evitar essa corrida desenfreada ao consumismo é o desafio”.
CÚPULA
“Precisamos ampliar a luta por nossos direitos”. Foi com essa disposição que a índia Sônia Guajajara iniciou a reunião de apresentação dos povos indígenas na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência Rio + 20. Membro da direção nacional da APIB, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara enfatizou o impacto dos grandes projetos sob a sigla do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) aos índios brasileiros. “Nossos direitos têm sido atropelados e retalhados”.
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A ideia é discutir, por exemplo, os impactos dos grandes projetos, como hidrelétricas, hidrovias e direitos sobre o uso da terra. “A partir das discussões iremos elaborar um documento que reúna as principais demandas discutidas na Cúpula dos Povos”, disse Guajajara.
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