Terça-feira, 12/06/2012, 07h12
Graças à sua riqueza natural e biodiversidade, o Brasil é considerado um país megadiverso, permeado por biomas, entre os quais o amazônico, um dos mais ricos e complexos do planeta. Hoje o Brasil possui mais de 10% das florestas remanescentes mundiais, 20% da água doce, a maior área úmida planetária (pantanal), a maior savana (cerrado), além de 10% a 20% de todas as espécies descritas do mundo e 55 mil espécies de plantas, o que representa 22% do dotal de espécies já descritas no globo.
Todo esse patrimônio natural - que representa 60% do território brasileiro - está sendo ameaçada. “A conservação dessa biodiversidade corre um sério risco pelo processo de ocupação feito nas cidades amazônicas. Sistemas complexos e heterogêneos de biodiversidade estão se perdendo por causa da pecuária, agricultura e da exploração madeireira”, esclarece Leandro Valle Ferreira, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, que iniciou a conferência pela parte da tarde falando sobre “A Conservação da Biodiversidade”.
O desmatamento para a pecuária, segundo ele, é responsável por 80% de toda a devastação ocorrida hoje na Amazônia. O pesquisador diz que passamos por uma onda de extinção nunca vista: 25% das espécies de mamíferos, 11% de aves, 20% de répteis, 25% de anfíbios, 12,5% de peixes e 34% de plantas. “É uma taxa mil vezes maior que a taxa registrada em outros países”.
Leandro mostrou vários gráficos e mapas que apontam a degradação de um dos biomas mais importantes do país, a Mata Atlântica, que segundo ele, está em processo acelerado de extinção. No que se refere à Amazônia, os estudos mostram que 18% da Amazônia já foram devastados, o que equivale a 724 mil quilômetros quadrados. “Somando as áreas dos Estados do Acre, de Rondônia, Roraima, não chegamos à área desmatada na Amazônia”.
O MPEG, junto com a Conservação Internacional (CI) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), criou o projeto Biota Pará para identificar as espécies ameaçadas de extinção por perda de habitat. “Há espaço para produção e sustentabilidade na Amazônia? Sim, para isso devemos criar áreas protegidas, unidades de conservação e corredores ecológicos conectando essas áreas via áreas de preservação permanente e reserva legal como prevê o Código Florestal”. Outra saída apontada por Leandro é aumentar a produtividade em áreas já degradadas, evitando entrar nas áreas de floresta.
É possível mudar esse cenário? Leandro aposta que sim, mas é necessário fazer uma ampla regularização fundiária, um Zoneamento Econômico Ecológico adequado e dar mais competitividade à base produtiva na região. “Não podemos ficar sempre na utopia. A conservação da biodiversidade se faz de maneira integrada aliando características naturais, sociais e biológicas”. (Diário do Pará)
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