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MORTE DE BEBÊ

Pais acusam hospital de negligência

Pará
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Terça-feira, 12/06/2012, 03h20

Pais de menino de Cotijuba depõem

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Na manhã de segunda-feira (11), cerca de 13 pessoas que vieram da Ilha de Cotijuba para Belém esperavam para depor em uma das salas da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe). Exibindo cartazes de protesto, familiares e amigos da família de Kelvys Santos, 2, aguardavam para contar a história do velório do menino que virou manchete de jornal e o principal assunto entre a comunidade da ilha.

Segundo testemunhas, a criança teria pedido água, após demonstrar sinais de vida, e só não foi sepultada viva porque o enterro, marcado para as 14 horas, atrasou. O delegado responsável pelo caso, Rogério Luz Morais, informou que irá solicitar à Justiça autorização para exumar o corpo de Kelvys e já pediu o prontuário de atendimento à direção do Hospital Regional Abelardo Santos (HRAS), onde o atestado de óbito do menino foi emitido.

Com a filha de nove meses no colo, Telma Simão Costa, 31, dez dias depois da morte de Kelvys, lamentava a perda do filho. “Vai ser muito difícil esquecer isso. Nem se eu tiver outro filho vai ser a mesma coisa”, fala a mãe, que, além do bebê, tem uma filha de oito anos. Telma foi a segunda pessoa a depor ontem, por volta das 11h, após o pai da criança, Antônio Carlos Santos, conversar com o delegado. “Eu quero uma resposta. O meu filho tinha chance de vida. Eu não queria que fosse assim, mas se é o único jeito...”, declarou Antônio Carlos sobre o fato de o corpo do filho precisar ser exumado.

O caso de Kelvys foi transferido da Seccional Urbana de Icoaraci para a Dioe por causa da complexidade. “Nós esperamos que, após a exumação, os peritos consigam identificar a causa da morte e a hora que o menino veio a falecer”, afirma o delegado Rogério Morais. Ainda de acordo com o delegado, esta semana, funcionários do HRAS que prestaram atendimento a Kelvys e estavam presentes na hora do fato deverão ser ouvidos. O médico de plantão, que atendeu Kelvys quando ele foi levado do velório para a Unidade de Saúde de Cotijuba, também deverá ser chamado para depor. “Nós temos pressa em esclarecer o caso. Mas o prazo de 30 dias provavelmente terá que ser estendido”, esclarece Morais.

“A gente fica magoado quando vê alguém falando que a gente tá inventando, que estamos criando uma situação, porque nós somos pais e mães de família e só estamos aqui porque vimos o que aconteceu”, disse Conceição Monteiro, 25, amiga da família de Kelvys. Segundo Conceição, o menino estava suando no caixão e seu corpo não estava enrijecido. Michele Santos, tia de Kelvys, afirma que tentou aconselhar os pais a não enterrarem o menino, após o óbito ter sido declarado novamente, dessa vez pelo médico de Cotijuba. “Nós estávamos fazendo massagem cardíaca e o povo dizia que não era pra enterrar. A minha parte eu fiz”, disse a tia, ainda muito abalada pelo ocorrido.

De acordo com a mãe da criança, quando Kelvys voltou da Unidade de Saúde, os lábios do menino já estavam ficando roxos e o corpo já apresentava sinais de enrijecimento. Além disso, várias pessoas aguardavam o sepultamento no cemitério de Cotijuba.

(Diário do Pará)

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