Terça-feira, 15/05/2012, 09h45
Quem vê os casais vestidos de caipira, suando muito para fazer bonito nas apresentações, nem imagina que uma manifestação tão popular teve origem nos bailes chiques da corte francesa do século XVIII. A quadrilha, um dos principais símbolos das festas juninas, nasceu de uma dança francesa chamada “contradanse”, de origem campesina, que se popularizou entre a aristocracia da Europa e foi trazida para o Brasil com a vinda da família real portuguesa para o país, em 1808. A partir daí, a dança sofreu diversas influências, graças à nossa diversidade cultural, e deixou os salões da nobreza para fazer sucesso nas áreas rurais, principalmente do nordeste, até chegar nas cidades.
E, se depender dos grupos paraenses, a tradição vai durar por mais 200 anos. As dezenas de grupos de quadrilha do Estado já estão fazendo os preparativos e se esforçando nos ensaios para as apresentações da quadra junina. O maior objetivo de todos é conseguir alcançar os prêmios dos diversos concursos promovidos pelas prefeituras e pelo governo do Estado.
Já no começo de junho, quadrilhas de Belém competem nas primeiras etapas do concurso promovido pelo Sesc. A quadrilha Rainha da Juventude, do bairro da Cremação, por pouco não ficou em primeiro lugar ano passado. Ela empatou com a primeira colocada, mas acabou ficando com o segundo lugar no desempate, segundo Carlos Eduardo, um dos coordenadores da quadrilha que existe há 49 anos. A Rainha da Juventude emendou uma festa na outra e os ensaios começaram logo depois do carnaval.
“A gente gosta do que faz, se diverte, e luta para que não acabe. Às vezes é difícil porque os concursos impõem muitas burocracias”, diz Carlos, que afirma que as quadrilhas também servem como forma de estimular jovens de áreas de risco a não se envolverem com a criminalidade. “É melhor brincar do que ocupar a cabeça com outras coisas”, fala o coordenador.
>> “São muitas dificuldades. A gente faz por amor”
A Rainha da Juventude conta com 48 brincantes, tem três casais reservas, e o investimento feito pelo grupo será entre R$10mil e R$15 mil. O dinheiro para arcar com os custos de materiais para a confecção de fantasias, costureiras, coreógrafos e transporte dos brincantes acaba sendo a maior barreira que os grupos precisam superar. Como grande parte das quadrilhas é de bairros da periferia, e quase todos os integrantes não têm condições financeiras de investir nelas, os grupos acabam sendo mantidos mais pelo esforço coletivo do que por patrocinadores. “Nós fazemos bingos, vendemos rifas, saladas de frutas... A gente se vira como pode”, afirma Carlos Eduardo.
No meio da festa, vale até caipira inspirado por dançarinos de balé. Foi assim que o Fuzuê Junino, do bairro da Pedreira, dançou ano passado, segundo uma de suas coordenadoras, Ingrid Rodrigues. O grupo existe há 11 anos e conta com 40 brincantes e dois casais reservas. “Nós estamos na correria. Correndo não atrás do tempo perdido, mas na frente dele”, brinca Ingrid.
Este ano, o Fuzuê Junino terá uma coreografia diferente para agradar os jurados. “No concurso da Fumbel eles exigem uma quadrilha mais roceira, mais tradicional, nós acabamos um pouco prejudicados.
Mas no Forrónindeua, que é o concurso promovido pela prefeitura de lá, nós disputamos com quadrilhas de Ananindeua e Belém e ficamos em primeiro lugar”, conta Ingrid. Para ganhar os concursos é necessário mais que esforço e comprometimento. “Não basta querer participar, tem que gostar muito. A gente faz por amor”, revela a coordenadora. (Diário do Pará)
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