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Sexta-feira, 27/04/2012, 06h50

O adeus às vítimas da Alça Viária

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Os corpos das nove vítimas fatais da tragédia da Alça Viária, ocorrida na última terça-feira (24), começaram a ser velados no final da noite de anteontem (25). Pessoas que saíram de suas casas no município de Tailândia, num micro-ônibus cedido pela prefeitura, para cuidarem da saúde na capital, retornaram, para a dor de familiares e amigos, dentro de caixões.

“Por que, meu Deus? Por quê?”, lamuriava a filha de Roseny de Souza Santos, 46 anos, que tinha ido saber o resultado de exames pós-operatórios em Belém. Ela foi uma das sete vítimas que morreram na hora, após a colisão do micro-ônibus com uma carreta. O corpo dela foi um dos primeiros a serem liberados. Dezenas de vizinhos e parentes se apertavam na modesta sala do casebre de dona Rosa, como era conhecida, para prestar a última homenagem.

Um pouco depois, chegava a um pequeno barracão o corpo do ajudante de pedreiro Antônio Silva Nascimento, 32 anos. Ele havia ido a Belém levar o filho Wemerson da Silva Nascimento para cuidar do braço com suspeita de fratura. O garoto é o mesmo citado pelo DIÁRIO na matéria sobre a tragédia, publicada na última quarta. Da mesma forma como ele foi encontrado na terça, quase catatônico, no carro dos bombeiros, estava diante do caixão. Calado. Não chorava. Não sorria.

Somente depois das duas da manhã o corpo da professora Raimunda Brilhante foi finalmente velado na quadra do ginásio municipal Werner Krombauer, onde, mais cedo, centenas de pessoas a aguardavam. Mas inúmeras faixas e arranjos de flores ainda davam clara ideia do carinho que o povo de Tailândia tinha por ela. Em volta do caixão, se abraçaram o marido Manoel Raimundo, a filha dela, Aline Michele, a ex-nora e o sogro. Quatro pessoas que sempre estarão unidas em torno da saudade comum.

DESPEDIDA EM DOBRO


Duas famílias deram adeus em dobro por conta do acidente. Carla Oliveira, 33 anos, foi levar a filha Ingrid de Oliveira Reis, 11 anos, para fazer exames pré-operatórios para uma cirurgia das amídalas. Os corpos delas foram liberados só na manhã de ontem, quase no mesmo horário em que foram liberados os corpos de Breno Ribeiro de Melo, 15 anos, e do pai dele, Francisco Josivaldo Ferreia de Melo, 39 anos. Breno foi levado pelo pai para continuar tratamento de adenoide.

Apesar de ser um dos últimos corpos despachados pela funerária, foi o primeiro a ser enterrado na cidade de Tailândia. Breno era faixa roxa de karatê e estudante da Escola Estadual São Francisco de Assis. Durante a missa de corpo presente na paróquia São Francisco de Assis, os colegas atletas de Breno depositaram as medalhas sobre o caixão. A dor de perder os dois de uma vez fez com que dona Maria, mulher e mãe, desmaiasse no velório e no enterro.

O corpo da professora Raimunda Brilhante foi sepultado no município de Peixe-Boi, ao meio-dia de ontem. A prefeitura municipal arcou com todas as despesas das famílias. Uma equipe de enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos acompanhava cada caso, em cada velório. Durante os enterros, no cemitério Recanto da Paz II, uma ambulância estava de prontidão. Os sepultamentos só devem terminar amanhã, pois muitas famílias esperam parentes vindos do interior para as cerimônias. 

SOBREVIVENTE

“Quando consegui sair do caminhão e olhei para ele, pensei, ‘Nossa! Isso é coisa de Deus’”. Foi o que disse Carlos Otávio Tavares da

Silva, motorista do caminhão que colidiu com um micro-ônibus na última terça-feira, no quilômetro 18 da PA-010, na Alça Viária. Do acidente que matou nove pessoas instantaneamente, ele saiu sem nenhuma fratura, com três cortes e uma dor no peito. Carlos Otávio tem 59 anos e dirige carreta há 10. Durante esse tempo, confessa que já viu algumas imprudências na estrada e escapou de outras tantas.

Mesmo que a história já tenha sido contada por ele diversas vezes para pessoas perplexas com sua sobrevivência, Carlos precisava contar por mais uma vez. Na verdade, mais algumas vezes, porque milagres devem ser espalhados. “Tive amigo perguntando onde era meu enterro de tão inacreditável que era eu estar vivo, do jeito que ficou a carreta”, comenta. “Eu quero ir lá ver de novo como ela ficou para ver em que espaço eu fiquei”, completa.

Carlos relembrou o dia, emocionado, contando que o micro-ônibus vinha na contramão, ao tentar fazer uma ultrapassagem. “Eu estava vindo de Barcarena para Icoaraci na minha pista. Tinha chovido e eu sou covarde com pista molhada, estava indo devagar. Já não sou de correr, estou sempre a uns 40km/h e estava carregando mais de 25 mil quilos. Foi quando eu vi o micro-ônibus vindo na minha direção. Pensei que ia morrer. Não tive reação. Pensei rápido e pisei no freio e esperei o impacto. Se desviasse, eu ia atingir pessoas que não tinham nada a ver com isso”, relata.

Carlos garante que não conseguiu piscar esperando o pior. Quando percebeu que estava vivo, só pôde pensar em sair de lá. “Preso nas ferragens, consegui me soltar com ajuda de um morador de lá de perto. Meu pé estava preso. Só ouvia gritos e gemidos. Eu estava muito machucado, só conseguia pensar em ir embora. Mas foi muito esquisito sair do meio das ferragens e ver tanta gente morta”, comenta.

Foi, em tantos anos de trabalho, o primeiro acidente de Carlos. “Tem muita gente imprudente dirigindo por aí, isso me deixa nervoso, mas é disso que eu vivo, gosto desse trabalho”, afirma. Carlos Otávio ainda sente as dores do acidente. “A dor no peito acho que é do volante, que me imprensou”, diz. Com o braço enfaixado e o rosto machucado, ele vai andando com dificuldade, mas declarando que sua sobrevivência ao acidente só pode ter sido obra de Deus.

AMEAÇAS


O motorista do micro-ônibus, Carlos Alberto Loureiro da Silva, desperta a ira dos moradores de Tailândia. “Se ele vier aqui, ele morre”, “se ele for esperto, não pisa mais aqui” e “ele tem mais é que ficar longe, porque, se vier para cá, ele morre” foram alguns dos comentários que muitas pessoas fizeram espontaneamente ao DIÁRIO.

O motorista, que se declara inocente, teria sido transferido do transporte escolar do município para a ação social. As mães teriam feito denúncias contra ele devido ao temperamento explosivo. Vários sobreviventes disseram que Carlos havia discutido com os passageiros por ter se irritado com o atraso de alguns pacientes.

O curioso é que, segundo comentários, Carlos possuía curso de bombeiro civil, mas o sobrevivente Manoel Raimundo chegou a declarar que ele teria negado socorro às vítimas. Não se sabe o paradeiro do motorista. A assessoria de comunicação da prefeitura foi procurada, mas não obtivemos resposta sobre quais medidas administrativas serão tomadas em relação ao motorista.

A assessoria do Corpo de Bombeiros confirmou que Carlos Alberto é sargento da corporação, lotado no Destacamento dos Bombeiros de Tailândia. Também informa que todos os procedimentos administrativos devem ser tomados em relação à situação do sargento e que o comandante do quartel do município já foi notificado para prestar esclarecimentos sobre a situação do bombeiro e motorista do micro-ônibus da prefeitura. Ainda segundo informações da assessoria, foi aberto inquérito policial civil para investigar o acidente em Marituba ou no Acará. O caso será investigado pela corregedoria da corporação.

(Diário do Pará)

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