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Sexta-feira, 10/02/2012, 02h40

Ação contra a dengue vai ao Jurunas

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Caminhando pela avenida Bernardo Sayão, no bairro do Jurunas, em Belém, mesmo para olhos não treinados, não era difícil observar alguns possíveis focos de transmissão do mosquito da dengue. O mosquito põe seus ovos em recipientes artificiais ou naturais que armazenam água, principalmente da chuva, como garrafas vazias, calhas, caixas d’água. Em uma estreita vila, uma fileira de fossas descobertas indicava perigo iminente, como confirmou o agente de saúde.

“O correto é estas caixas estarem bem vedadas, pois aqui é comum o acúmulo de água parada. O cano de esgoto também deveria estar nivelado com o chão para não empossar. De 4 a 5 dias sem chuvas, casos como esses podem servir de foco para a proliferação das larvas do mosquito”, avalia Jovelino Aguiar, agente de controle de endemia da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).

Ontem pela manhã, a secretaria realizou no bairro mais uma etapa do mutirão de combate à dengue. Iniciada no último dia 3, o programa já percorreu os bairros do Umarizal, Icuí-Guajará e parte do Jurunas, da Bernardo Sayão até a Fernando Guilhon. Hoje, a fiscalização se estende ao bairro de Águas Boas, no distrito de Outeiro.

“Estamos intensificando a fiscalização devido ao período de chuvas, que se estende até março. Nossos maiores picos da doença são nesses períodos. Nosso trabalho é ir até a comunidade e unir forças para combater o mosquito. É um trabalho conjunto com a população. Nós os instruímos a identificar os focos, tentamos mudar maus hábitos, identificar ameaças. Por exemplo, a tampar uma caixa d’água, se livrar do lixo jogado no chão acumulando água, tampar piscina sem uso”, explica Carlene de Almeida, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, da Sesma.

Os bairros escolhidos foram os que tiveram os maiores índices de proliferação das larvas do mosquito, seguindo o levantamento da Sesma. Segundo Carlene, o maior problema continua sendo o acumulo de lixo e detrito a céu aberto, responsável por 40% dos focos na Região Metropolitana de Belém. Mas em bairros como o Umarizal, por exemplo, os principais motivos para a proliferação da doença são as construções e imóveis abandonados. (Diário do Pará)

AGENTES

Cerca de 200 agentes participaram da fiscalização no Jurunas. O trabalho consiste em visitas nas casas e empresas à procura de locais onde poderiam haver larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Se for identificado um local suspeito, é tirada uma amostra da água para confirmação em laboratório e, em seguida, administrado um produto químico para eliminar os ovos.

“A melhor oportunidade para combater o Aedes é durante sua fase larval e não a adulta. Por isso é importante acabar com a água parada, mas ao mesmo tempo tratar com veneno esses ovos, já que, em ambiente seco, um ovo pode sobreviver até um ano. A borrifação de veneno, o ‘fumacê’ só acontece quando identificamos o mosquito adulto no local”, explica.

Na casa da aposentada Ocilene Aquino foi identificado pelos agentes de controle de endemia um foco de larvas do Aedes. A causa foi a água parada na garagem do sobrado, mas foi identificado um acúmulo de entulho no quintal do imóvel. “Aqui nesse pedaço alaga constantemente. Eu estou vendo a possibilidade de construir uma mureta para conter a água que os carros jogam. Mas até lá vou ter que fazer minha parte, varrer, arrumar um jeito de escorrer essa água. Além de dar uma limpada no quintal, como sugeriu o agente”, diz.

DENGUE NA RMB

De acordo com a Sesma, em janeiro foram notificados 130 casos da doença na Região Metropolitana de Belém. Desse total, 72 casos foram confirmados. No mesmo período em 2011 foram 120 doentes.

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