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Quinta-feira, 09/02/2012, 08h00

Moradores espancam suspeito de assalto

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Após ter cometido um assalto, um homem foi espancado quase até a morte pela população da ocupação Duas Irmãs, no bairro da Pratinha na tarde de ontem. Segundo relato de testemunhas, o homem teria levado muitas pauladas pelo corpo todo e só não foi assassinado porque alguns cristãos tomaram as dores do rapaz, impedindo que o espancamento continuasse.

“O moleque é perigoso. A população só não o matou mesmo porque o pessoal da igreja não deixou”, relatou uma testemunha que não quis se identificar. Sagrando muito, o homem identificado apenas como “Cara de Cavalo” foi socorrido pela Polícia Militar, que o levou dentro do camburão até a Unidade Municipal de Saúde (UMS) do Tapanã, onde ele ficou aguardando a remoção para um hospital de urgência e emergência.

FERIMENTOS

Segundo o técnico em enfermagem da UMS, Mauro Pimentel, 40 anos, o “Cara de Cavalo” pode ter sofrido traumatismo craniano, dados os graves hematomas que ele tinha na cabeça devido às pauladas. Na enfermaria, uma amiga do suposto assaltante, que também não quis se identificar, estava angustiada ao ver o quanto sangrava o colega. “Eu não sei o nome dele, e nem de onde ele é. Esse homem não tem paradeiro”, relatou a mulher que não parecia ligar para a estranheza causada a quem a via ali, com pena de um “assaltante” que ela mal conhecia.

JUSTIÇA POPULAR

Apesar de o Brasil ser considerado pacífico perante a comunidade internacional e não ter a pena de morte inclusa no código penal, reações como essa tomada pela comunidade Duas Irmãs são bastante comuns. Chegam até mesmo a serem defendidas por grande parte das pessoas do meio popular ou não. “Bandido tem mais é que morrer mesmo”, comentou um senhor enquanto via o homem espancado se contorcendo de dor pela brecha permitida pela porta semifechada.

Segundo a bacharel em direito Jéssica Kaline, 29 anos, quando a comunidade toma esse tipo de atitude, está cometendo um delito muitas vezes mais grave do que o do ‘bandido’. “Do ponto de vista da lei, o que as pessoas chamam de justiça é prática de homicídio qualificado. Dessa forma, um homem que muitas vezes rouba um celular tem a vida - o bem mais precioso -, roubada pelas pessoas. Isso ocorre porque a comunidade acaba agindo sem ter o esclarecimento de o que realmente estão fazendo quando cercam uma pessoa e o espancam”, argumentou.

SEM PUNIÇÃO

Segundo ela, espancamento de homens que são pegos tentando assaltar ou que assaltam, são crimes que dificilmente são punidos, pois quando a polícia chega, ninguém se aponta e “dificilmente é aberta uma investigação para apurar quem bateu em um ladrão”, disse. Mas há quem diga que não dá para sentir pena de uma pessoa que, quando tem uma arma na mão, não tem pena de ninguém. Enquanto perdura essa indefinição coletiva do que é justo ou não, quem detém o poder, seja por estar com uma arma, seja por estar em maioria, acaba fazendo a justiça mesmo com as próprias mãos, algumas vezes.

(Diário do Pará)

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