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Sábado, 04/02/2012, 05h07

Fãs celebram o quadrinho nacional em evento

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Turma do Pererê, Amigo da Onça, Geraldão, Os Fradinhos, Turma da Mônica, Judoka, Zé do Caixão, Piratas do Tietê, Os Malvados, Menino Maluquinho, Rê Bordosa, Zé Carioca e Radical Chic. Todas essas ‘figuras’ são criações tenazes de artistas nacionais, que ao longo do século 20 mostraram o quanto os quadrinhos brasileiros têm valor. A heróica arte, que para muitos não passa de um simples passatempo, ganhou uma nova característica em nosso país tropical, já que boa parte dos personagens citados acima alcançou a fama com a publicação diária de suas aventuras em tiras de jornal e revistas.

“Artistas como Péricles, criador do Amigo da Onça, Carlos Zéfiro e seus quadrinhos eróticos, o Ziraldo, o Paulo Caruso, a turma do Pasquim e do Chiclete com Banana, todos tinham uma consciência critica, identidade própria e contam a história do nosso país”, frisa o colecionador, professor e ‘quadrinhólogo’ Arnaldo Corrêa Prado Junior.

Se sobra talento, falta incentivo

Arnaldo Prado possui uma portentosa coleção de almanaques, revistas brasileiras, especiais como as primeiras edições de Capitão América lançadas pela Marvel em edição de luxo, álbuns do herói galáctico Flash Gordon, do Principe Valente e inúmeras revistas Mad, X-Men, Sandman e Tin Tin, entre outras. As obras ocupam um gigantesco armário localizado na sala de estar de Arnaldo, onde, ele contabiliza, devem estar milhares de gibis.

“Eu tenho o hábito de colecionar, então posso dizer que já li muita coisa que tenho, mas tem outros quadrinhos que comprei e ainda não tive tempo de ler. Agora independente se a publicação for boa ou ruim, eu mantenho para consulta e pesquisa na minha coleção”, esclareceu o engenheiro civil e mestre em ciências da informática, que desde 2009 ministra cursos sobre Cinema e História em Quadrinhos - duas de suas paixões.

“Nas aulas, apresento um material que explicita a relação entre essas duas expressões artísticas, que iniciaram exatamente no mesmo ano: 1895. Os alunos vão de desenhistas a entusiastas da cultura pop, um público abrangente que buscava ampliar seus conhecimentos sobre arte sequencial e conhecer as adaptações feitas para a sétima arte”, diz.

Arnaldo lembra que no final dos anos 80 participou da comissão julgadora dos editais de produção de quadrinhos promovidos pela Fundação Tancredo Neves na gestão de Edson Berbary. “Foi em 88 e 89, em cada ano aprovando três trabalhos para publicação, um incentivo que se ainda existisse aqui, iria ter fomentado muito a produção até hoje. Nessa época, o edital aprovou trabalhos de Branco Medeiros e Betto Paiva (Quando Eu Esquecer do Teu Beijo), do roteirista e desenhista Paulo Emmanoel (Jesus Cristo Superstar), sendo que o Paulo ainda ganhou novamente com um quadrinho infantil produzido em conjunto com a Wlad Lima”, lembra o professor.

“Apesar de já termos publicado em 2009 a revista Catarse, pelo IAP, é inegável que falta mais incentivo para a produção”, apregoa Adnilson Gomes, do grupo Catarse. Para o também desenhista e roteirista Valfredo, que integra o grupo, a aceitação de obras de artistas independentes brasileiros esbarra na falta de leitura. “O problema é que brasileiro não gosta de ler. No máximo o que se consome em termos de quadrinhos nacionais são as produções do Maurício de Souza”, diz Valfredo, completando que não torce o nariz para o pai da turma da Mônica, maior sucesso comercial da arte sequencial brazuca desde os anos 50.

“Acho que o Maurício criou uma obra de qualidade, que pode até beber em fontes óbvias como o Charlie Brown do Schultz, contando histórias de crianças que às vezes tem atitudes de adultos, mas também se tornou referência”, analisa Arnaldo Prado.

COMEMORAÇÃO

Depois da Semana do Quadrinho Nacional, realizada na última semana pelo grupo Catarse com apoio da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, a Pencil Blue Studio, o portal Ponto Zero, a loja 9ª Arte Nerdstore e a livraria Saraiva se uniram para realizar o evento ‘GibiMais comemora o dia do quadrinho nacional’, voltado aos entusiastas da arte sequencial.

“Vamos falar de quadrinho nacional com desenhistas paraenses que estão no mercado em diversas instâncias para dar dicas, apresentar sua produção, falar do mercado local e nacional em um bate-papo ao mesmo tempo informativo e divertido sobre essa paixão nacional que são as HQs”, frisa Orlando Simões, um dos organizadores.

Na ocasião, o GibiMais ainda faz o lançamento de Tune-8, a mais nova graphic novel do desenhista Rafael Albuquerque. Vencedor do Harvey Awards e do Eisner 2011 -por American Vampire de autoria do escritor Stephen King -, Albuquerque escreve e ilustra esta elogiada ficção científica, originalmente publicada na internet através do portal IG Jovem e agora disponível numa edição especial, de 32 páginas, com uma galeria completa de esboços e comentários do autor sobre a série.

(Diário do Pará)

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