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Quarta-feira, 01/02/2012, 04h06

Caminhões desrespeitam leis e circulam nas ruas

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Na avenida Pedro Álvares Cabral, ao lado do complexo viário do Entroncamento, há anos um grupo de caminhoneiros tomou conta de um trecho da via pública. Na estreita alameda, os motoristas das carretas e caminhões-baú passam o dia estacionados, oferecendo serviço de transporte de mercadorias. Os fretes são conseguidos através dos inúmeros armazéns vizinhos e algumas feiras da região, mas não são raros os bicos como mudanças de móveis em residências e entrega de material de construção. O pedaço da asfalto ali é disputado - os veículos se posicionam em filas, bloqueando a passagem dos carros.

“Todo dia é a mesma coisa, eles chegam aqui de madrugada e vão embora no final da tarde. Faz dez anos que começou essa esculhambação, os caras se acham os donos da rua”, reclama um comerciante do local, que não quis se identificar por medo de represálias. Os caminhoneiros que a trabalham no local evitam dar entrevista, apesar das placas de fretes afixadas nos para-brisas indicando suas intenções. A maioria desconversou sobre a infração que estavam cometendo. “É a primeira vez que eu venho aqui. Só estou esperando um funcionário. Como falta espaço pra estacionar, paramos aqui”, justifica um dos motoristas.

Uma coisa é certa: é cada vez mais difícil arranjar espaço para esses grandalhões no trânsito da capital paraense. Atualmente, a frota da cidade é composta por 318.776 veículos, destes 7.700 corresponde a caminhões, segundo levantamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PA). O número pode até parecer pequeno em comparação ao volume de automóveis, que chega a 183.720, ou de motocicletas, estimado em 67.756. Mas basta combinar as ruas estreitas do centro da cidade e a concentração de caminhões nesta região, que logo passamos a ter uma boa ideia do problema.

“Belém virou um imenso canteiro de obras nos últimos tempos. Em todos os pontos da cidade estão surgindo prédios, shoppings centers, grandes empreendimentos. E esses locais são o destino de boa parte da frota que circula atualmente na cidade. Tanto que nosso principal problema com este tipo de veículo são os engarrafamentos causados por fila dupla. Ai, junte as ruas estreitas e antigas, não apropriadas para a entrada desses veículos, e você tem um imenso transtorno para a população”, afirma Isaias Reis, coordenador de operações de trânsito do Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel).

“A única solução para o problema dos caminhões é a restrição da circulação desses veículos em Belém”, defende o promotor de justiça Benedito Wilson Sá. Ele é o autor da ação civil pública de setembro de 2009, que deu origem ao decreto municipal nº 66.368/2011, que impõe regras para circulação de veículos de carga.

A lei estabelece a proibição de trânsito de caminhões acima de 5.500kg, das 6h às 21h (de segunda a sexta), em treze vias. O trânsito de veículos de carga no Complexo Viário do Entroncamento também fica proibido das 6h às 9h no sentido Ananindeua-Belém e das 17h às 21h no sentido Belém-Ananindeua. Quem ficaria a cargo da fiscalização seria a CTBel. As únicas vias de acesso total seriam as ruas nos arredores das avenidas Pedro Álvares Cabral, Bernardo Sayão, Perimetral, Augusto Montenegro e da rodovia Arthur Bernardes.

“Em março do ano passado, foi dado um prazo de 90 dias para CTBel para implantar as medidas, depois ela pediu uma prorrogação de mais 90 dias. Quando estava para expirar prazo, ela simplesmente suspendeu o projeto”, revela o promotor.

OUTRO LADO

De acordo com a CTBel, o decreto está sendo aplicado, só que parcialmente. No momento, a única restrição aos caminhoneiros é o acesso e a saída de Belém. Das 6h às 9h e das 17h às 20h não pode haver trânsito de saída e entrada de veículos pelo Entroncamento.

“Tivemos reunião hoje (ontem) para ajustar alguns pontos do decreto, mas ainda não temos previsão para o andamento das obras”, afirma o técnico da CTBel. O MP também propôs através de ação pública a reordenação do estacionamento de caminhões no Entroncamento.

As mudanças preveem alterações no fluxo de veículos, de paradas de ônibus e fiscalização do Detran, CTBel e Polícia Rodoviária Federal. O estacionamento de caminhões na BR-316, próximo da entrada da Augusto Montenegro, será eliminado para se tornar uma via de livre acesso. (Diário do Pará)

Comentários Recentes

  • Ninguém respeita porra nenhuma disse: Comentário postado em 02/02 Quinta-feira às 20:13h "Já cansei de denunciar dois ônibus que ficam o dia inteiro estacionados na trav. Humaitá, entre av. Pedro Miranda e trav. Antonio Everdosa, na Pedreira, deixando o trânsito na área mais caótico, além de disputar com os caminhões que descarregam no Líder Pedreira e a CTBel só me diz que encaminhou a denúncia e os ônibus continuam lá. "
  • jebayo disse: Comentário postado em 01/02 Quarta-feira às 09:51h "Só não existem placas avisando os caminhoneiros das proibições, na justiça é coisa ganha, tudo por que a Ctbel tem uma raiva de colocar placas e querem fazer economia de palito, o que causa transtorno é o mundo de ônibus que passam pelo centro e a área juríidica do estado que lá fica também deveria ser mudada para a Augusto Montenegro não é mesmo dr Benedito."
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