Terça-feira, 31/01/2012, 03h48
Na próxima sexta-feira (3), integrantes do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) de Belém realizam o “Ato contra a violência homofóbica”, em frente à Delegacia-Geral, na avenida Magalhães Barata, bairro de Nazaré.
O ato acontece após a agressão sofrida por Beto Paes, integrante do Grupo Homossexual do Pará (GHP) que foi preso, agredido, ofendido e ameaçado por policiais civis lotados na Seccional do Guamá. A Corregedoria da Polícia Civil abriu processo administrativo-criminal contra os dois policiais agressores.
Beto Paes relatou a situação ocorrida na noite do dia 15 de janeiro quando estava no “Bar da Angélica”, localizado no bairro do Guamá. Segundo ele, por volta das 23h30 policiais chegaram ao local para verificar se havia adolescentes no estabelecimento.
“Eles pediram documentos das pessoas e fui dizer que a festa já havia encerrado e um deles disse: ‘Quem é você para falar com a gente? Nós somos a lei seu v.!’. Falei que era um cidadão que pagava seus impostos e que queria apenas que me respeitassem. Disse ainda que fazia parte do Conselho de Segurança Pública e me disseram que eu estava falando demais e iam me levar preso por desacato”.
Paes foi colocado no ‘camburão’ de uma viatura policial, mas antes levou um chute na perna esquerda. No caminho até a seccional do Guamá foi recebendo ameaças e as ofensas continuaram, afirma. Ao chegar à unidade policial, um dos policiais disse: “Esse palhaço acha que tem algum direito”. Em seguida Beto foi agredido com tapas no rosto. “Minha advogada chegou e não deixaram ela entrar. O delegado disse que ia ser registrado um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) por desacato e me colocaram em uma sala fechada”.
Beto Paes foi conduzido para a Central de Flagrantes, na seccional de São Brás, onde o registro do TCO seria feito. À delegada de plantão, Paes solicitou um exame de corpo de delito e ainda ouviu que seria conduzido ao Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves” (CPCRC) pelos mesmos policiais que o prenderam.
No caminho para o CPC Renato Chaves Beto foi submetido à tortura psicológica, com palavrões, ofensas e ameaças. Um dos policiais chegou a dizer a seguinte frase: “Viado e sapatão só o direito é de morrer!”. Só após a realização do exame de corpo de delito e o registro do TCO é que Beto foi liberado.
PUNIÇÃO
No dia seguinte ele procurou a Ouvidoria de Segurança Pública, a Corregedoria da Polícia Civil e denunciou o caso também para a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Dias depois Beto foi recebido pelo Delegado-geral Nilton Atayde, que pediu desculpas a Beto e disse que os policiais envolvidos no caso serão punidos para que outros policiais não atuem daquele jeito e que o papel da Polícia Civil é de proteger o cidadão.
LAUDO
A vítima aguarda o resultado do laudo do CPC Renato Chaves para entrar com uma ação judicial contra o Estado. Por conta da agressão sofrida por Beto, o movimento GLBT decidiu fazer o ato na próxima sexta-feira, a partir das 10h da manhã, em frente à Delegacia-Geral da Polícia Civil. “O ato não é contra a polícia, mas sim um ato contra a violência homofóbica”, concluiu Beto. (Diário do Pará)
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