Segunda-feira, 30/01/2012, 07h26
Duas pessoas mortas e outras duas baleadas. Esse é o resultado sangrento de uma briga entre facções ontem (29), uma do CDP, chamada “Campinho”, e outra da passagem Umarizal, no Barreiro. A disputa já dura cerca de três anos e teria exterminado em torno de 20 pessoas. No meio desse fogo cruzado está a população, vítima da violência que já se tornou rotina, principalmente nos fins de semana.
Segundo testemunhas que não quiseram se identificar, a primeira vítima de ontem teria sido um jovem conhecido por “Vandinho”, que pertenceria à facção do Umarizal, e levou um tiro nas costas. Em resposta, a facção do Umarizal teria pulado um muro da Eletronorte e alvejado duas pessoas na passagem Álvaro Freitas, no Barreiro, um jovem chamado “Maicon” e Adenilson Viana dos Santos, 23 anos, que teria recebido vários tiros, sendo que um dos disparos teria atravessado do crânio para a boca. Os dois foram levados ao PSM da 14 de Março. Adenilson não resistiu e morreu.
Testemunhas informaram que o autor dos disparos contra a dupla seria um indivíduo conhecido por “Beiti” e o jovem que veio a falecer não pertenceria a nenhuma das facções, sendo apenas uma vítima do confronto.
Logo em seguida, mais disparos foram efetuados no Barreiro. Dessa vez, a turma do Umarizal teria identificado um membro da do “Campinho” circulando pelo bairro e, segundo testemunhas, sem ter que se dar ao trabalho de invadir o território inimigo, mais um personagem dessa disputa insana caiu.
A vítima foi Anderson Silva Assis, 22 anos. Ele teria sido interceptado por duas pessoas em uma moto, na passagem Caju. Três disparos acertaram um carro e outros o teriam acertado e matado. “Ele [a vítima] é conhecido por ‘Peitinho’ e estaria na área a convite de uma amiga”, revelou o cabo Carvalho, da PM. Populares desconfiam que uma “casinha” foi armada para “Peitinho”, mas a família nega essa versão, alegando que o mesmo seria amigo de várias pessoas da passagem.
A ROTINA DO MEDO
“Antes, quando soltavam fogos a gente sabia o que era. Hoje, quando faz algum barulho, a gente já acha que são balas”, lamentou uma moradora do Barreiro. No local, a população ainda se assusta a cada disparo, mas já está adaptada à rotina. “Aqui, é sempre assim: saiu tiro, todo mundo entra pras suas casas. Quando param de atirar, todo mundo sai pra ver quem foi que morreu dessa vez”, contaram os moradores.
Polícia ou moradores não sabem precisar se a briga é por pontos de tráfico ou se é algo meramente pessoal entre “Pio”, que seria o líder da facção do “Campinho”, e “Piolho”, que seria o líder da facção do Umarizal. A única certeza que amarga o dia a dia dos moradores das duas áreas é a de que enquanto houver membros dessas facções à solta, as mortes e o terror não vão parar. (Diário do Pará)
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