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Sexta-feira, 27/01/2012, 02h01

Feirantes permanecerão no Mercado de São Brás

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Após pressionar pela saída de um grupo de feirantes do Mercado de São Brás, a Secretaria Municipal de Economia (Secon) voltou atrás e revogou a decisão. A notificação obrigava cinco feirantes a desocuparem os boxes vizinhos à praça Floriano Peixoto, em Belém. O prazo era de 72 horas e expirava ontem.

A decisão foi fechada após uma reunião entre o diretor geral da Secon, Luís Carlos Silva, a presidente da Associação dos Empreendedores do Complexo de São Brás, Rosana Araújo Martins, a diretora da Associação de Feirantes de Belém (Asfembel), Maria do Socorro Siqueira, e o grupo de feirantes notificados.

“As notificações foram canceladas até segunda ordem. Entretanto, o local já começou a ser isolado, como medida de segurança. A praça será alvo de uma revitalização, que irá mexer no calçamento, portanto, alguns feirantes deverão ser retirados de lá de qualquer jeito para darmos cabo das obras. Mas já foi decidido que a obra será feita em duas etapas. Na primeira, que vai durar 90 dias, vai se resumir à reforma da área do obelisco. A segunda etapa vai exigir a retirada dos feirantes próximo à praça, pois será refeito o calçamento”, diz o diretor.

Ainda não foi aberta licitação para início das obras da reforma da praça, projeto nomeado de “Praça da Chuva”, que prevê novo piso e iluminação e será executado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). A previsão de começo das obras é apenas para meio do semestre.

A notícia de revogação das ordens de despejo foi recebida com um misto de alívio e descrédito pelos feirantes. “Finalmente, eles decidiram ceder. Suspenderam a notificação, mas falta ainda recebermos essa garantia por escrito, pois foi um acordo de boca. Eles finalmente apresentaram o projeto que estavam planejando para a praça. Agora temos garantias e algumas perspectivas do que estão planejando para o mercado”, afirma Rosana Araújo Martins.

Anteontem pela manhã, os trabalhadores do local fecharam a avenida Magalhães Barata em protesto. Eles criticavam a forma com que o assunto foi tratado pela prefeitura, considerada intransigente pelos feirantes. “Só fomos saber do que se tratava o projeto de reforma na terça, quando a Secon apareceu com as intimações”, conta Carlos Raposo, dono de um pet shop, que há 30 anos trabalha no Mercado de São Brás.

CONVENÇÕES

Além da reforma da praça Floriano Peixoto, a Secon informou que estuda transformar o Mercado de São Brás em um centro de convenções.

Inaugurado no dia 21 de maio de 1911, o Mercado de São Brás foi construído pelo engenheiro italiano Filinto Santoro, por encomenda do intendente Antônio Lemos. Apesar do prédio ter sido projetado para funcionar como um mercado, não é a primeira vez que se propõe transformá-lo em centro cultural, como explica a arquiteta e urbanista Jussara Derenji. “Desde a década de 80 se tenta destituir a função de mercado daquele prédio”, analisa a mestra em História, cuja tese foi centrada na atuação dos construtores italianos na região Norte.

Foi em 1988 que aconteceu a primeira grande reforma e tentativa de mudança do espaço, durante o mandato do prefeito Coutinho Jorge. O mercado foi reordenado como teatro e casa de espetáculo, e ao lado foi construído o galpão de gosto duvidoso, que hoje se tornou o Mercado de Peixe, feito para abrigar a nova feira. Na década de 1990, com a reforma empreendida pelo prefeito Edmilson Rodrigues, a função de feira foi restaurada, mas a estrutura original da obra já estava descaracterizada.

Atualmente, nem o luxo de uma reforma mal feita o mercado dispõe. As paredes estão cobertas de infiltrações. O estacionamento subterrâneo é um local perigoso, que nem mesmo os que trabalham e conhecem o local arriscam visitar, devido ao risco de ser assaltado.

“O mercado sempre foi visto como um empecilho pelos gestores. Pela localização, história e importância do prédio, ele é cobiçado como troféu. A solução é algo que entenda o conjunto e destinação para o espaço ocioso. Ser um mercado não é um problema”, analisa Jussara Derenji. (Diário do Pará)

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