Quinta-feira, 26/01/2012, 07h59
Duas grandes obras de revitalização estão previstas pela Prefeitura Municipal de Belém para o Mercado de São Brás. Uma na área externa, com a reforma da praça Floriano Peixoto, outra dentro do prédio, no qual se estuda a adaptação do espaço em um centro de convenções. Boas notícias, certo? Não para um grupo de feirantes que trabalha no local. Na última terça-feira (24), a Secretaria Municipal de Economia (Secon) intimou a desocupação de cinco pontos de vendas, localizados na área vizinha à praça Floriano Peixoto. Os comerciantes teriam 72 horas para desabitar o prédio. O prazo expira hoje.
“Há mais de seis anos que se discutem planos para melhorar o local. Antes a prefeitura queria fazer um teatro, depois um centro de convenções, agora querem mudar a praça. Nós não nos somos contra as mudanças, na verdade, todos querem que elas aconteçam. É melhor para os negócios. Mas da forma que eles querem fazer não tá certo. É autoritário. Eles cortaram o diálogo e resolveram forçar a barra”, afirma Rosana Araújo Martins, presidente da Associação dos Empreendedores do Complexo de São Brás.
Ontem (25) foi organizado um protesto em frente ao edifício centenário. Nos cartazes e faixas, críticas e apelos ao prefeito Duciomar Costa “Dudu, queremos trabalhar” e “Prefeitura fascista” era alguma das frases que estampavam os pedaços de cartolina. Por volta das 10h30, após uma breve reunião e uma série de discursos acalorados, o grupo de manifestantes fechou por aproximadamente 15 minutos a avenida Magalhães Barata, próximo a esquina da José Bonifácio.
“Mais de 200 pessoas trabalham dentro do Mercado de São Brás, contando com o Mercado de Peixe, aos fundos, esse número chega a 500. Todos os trabalhadores daqui são cadastrados, pagam impostos para a prefeitura. Não iremos sair daqui até eles nos mostrarem do que se trata o projeto, o valor dele, quanto tempo irá durar e o destino dos trabalhadores durante e depois das obras”, clama o dono de restaurante Joaquim da Costa, 50, um dos feirantes intimados a deixar o local.
Ele diz trabalhar naquele ponto há 10 anos. Nos seus cálculos paga a SECON R$ 375 de taxas mensais, além de água e luz. “Dependo daqui. Sustento minha família com a venda de refeições. Emprego 24 pessoas no meu estabelecimento. Me sinto sem chão, traído com o que fizeram com a gente”, lamenta. Uma reunião está marcada para hoje, entre feirantes e a Secon para discutir o destino do plano de desocupação do local. A secretaria se pronunciou sobre assunto através de sua assessoria de imprensa.
Na nota emitida ontem, afirma que “apenas cinco trabalhadores foram notificados para se retirarem do local onde atualmente se encontram. Todos serão remanejados para outros pontos dentro do próprio complexo. A ação consiste em viabilizar o projeto da Prefeitura de Belém de revitalizar a Praça Floriano Peixoto, situada em frente do mercado. A Secon informa que existe um projeto da Prefeitura de Belém que pretende transformar o Mercado de São Brás em um Centro de Convenções, que ainda esta em fase de estudo”.
Já a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA) informou alguns detalhes do projeto de revitalização da praça Floriano Peixoto, que será executado pela pasta.
Batizado provisoriamente de Praça da Chuva, o projeto paisagístico prevê painéis com jogos de luz e chafarizes embutidos no calçamento, controlados eletronicamente. O plano é fazer uma praça ecológica, onde a captação da água usadas nos bicos injetores seria reciclada da chuva e a energia elétrica, captada por painéis solares.
O projeto vai entrar em fase de licitação e está previsto para começar ainda neste primeiro semestre. A SEMMA não revelou uma estimativa de orçamento, mas prevê que as obras levem em média quatro meses para serem finalizadas, uma vez captado o dinheiro. Agora, porque uma obra que nem tem prazo para começar, já exige o isolamento da área?
“O obelisco localizado na praça está deteriorado. Existem placas de granito que estão prestes a descolar. Não sei ao certo a motivação da Secon, mas já informamos do perigo e sugerimos o isolamento daquele pedaço”, afirma a diretora da Departamento de Projetos e Paisagismo, Daniela Tunas. (Diário do Pará)
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