Sexta-feira, 13/01/2012, 11h03
Um talento em ascensão interrompido por uma fatalidade. É assim que a cultura popular paraense sente o falecimento do músico Wanelson de Avis, vítima de um acidente de carro na última segunda-feira em São Caetano de Odivelas, nordeste do Estado.
Graduado em música pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), Wanelson tinha na arte o seu foco desde a infância. Aos 11 anos, ingressou na escola de música Rodrigues dos Santos para aprender clarinete. Em pouco tempo chamou a atenção dos professores e se diferenciou dos demais alunos. Aos 14 anos passou para o saxofone e já era um dos membros da banda municipal.
“Ele foi um diferencial porque com apenas 17 anos saiu de São Caetano e entrou numa universidade pública, se qualificou, virou um profissional ainda melhor e repartiu o conhecimento com toda a comunidade, voltando a morar em São Caetano”, conta o maestro Márcio Cardoso, seu primeiro instrutor.
Mas não era somente a arte pela estética que entusiasmava Wanelson. O objetivo maior era, na verdade, fazer mudanças através da música. Para que a cada nota, se abrisse possibilidade de um futuro melhor aos jovens do município.
“Tenho certeza que ele ainda iria investir muito em projetos sociais, dando continuidade ao Educartis, que foi idealizado por ele e já retirou muitos jovens de situação de risco, e cantigas de boi, as quais ele tinha se dedicado
muito nos últimos anos”, conta Marcio Cardoso.
Aos 27 anos, Wanelson era funcionário público, coordenador de projeto de inclusão social, maestro e compositor. “Eu tinha planos de que ele iria me substituir como maestro da Rodrigues de Souza, mas infelizmente houve essa fatalidade”, comentou emocionado.
A perda para o Coletivo Cultural local, contudo, tem sido analisada como mais um incentivo a prosseguir com os ideais de um jovem que sempre viu na música a melhor melodia para a realização dos sonhos. “Apesar de toda a tristeza e saudade, iremos continuar com o projeto e as iniciativas dele, porque com certeza era o que ele queria e tinha mais orgulho”, comentou Rondi Palha, amigo e companheiro de trabalho.
Para Luciana Cardoso, de 17 anos, Wanelson vai, mas deixa exemplo de vida em toda a cidade. “Ele mostrou como a música pode mudar as perspectiva de muitos jovens”, conta Luciana, que há quatro anos atuava na banda de música da qual ele era educador.
“É um momento difícil, mas só tenho recordações boas dele e a lembrança vai ficar sempre na minha memória é a de quando ele ia pra frente da banda, cheio de alegria, e agia como nosso maestro”, conclui.
TRAGÉDIA
Wanelson Batista de Avis e Cristiane Fernandes faleceram num acidente de carro na madrugada da última segunda-feira, na estrada que liga os municípios de Vigia e São Caetano de Odivelas. O Fiat Strada vermelho, conduzido pelo músico, perdeu o controle e se chocou com uma árvore na beira da estrada.
(Diário do Pará)
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