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Quarta-feira, 11/01/2012, 07h57

Criança pode ter morrido de fome

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Uma das crianças, de apenas cinco anos, foi literalmente esmagada pelas rodas de uma pesada caçamba que manobrava para entregar seixo, fato que aconteceu na manhã de segunda-feira, na rua São José, bairro São Félix I. À noite, naquele mesmo dia, uma criança de 11 anos foi encontrada pendurada numa corda, na rua das Castanheiras, 02, bairro Bela Vista, núcleo Cidade Nova. Ambos os casos aconteceram em Marabá.

Porém, seguramente o caso que mais chocou a opinião pública aconteceu na manhã de domingo, em São Félix do Xingu, sul do Pará. Uma criança de apenas dois meses de vida deu entrada na Maternidade daquele município, na manhã de domingo, aparentemente morta. O médico ginecologista Eduardo Bayer de pronto constatou que a criança estava morta e conferiu que o bebê apresentava sinais de maus-tratos e desnutrição.

O caso foi comunicado imediatamente à delegada Claudiane Maia, que incontinenti diligenciou e prendeu a mãe da criança, Juliana Martins de Sousa, 23. Após ser ouvida, a mulher foi indiciada e autuada por maus-tratos, com base no artigo 136 do Código Penal Brasileiro (CPB). O pai da criança, Valcley Alves Andrade, 31, também pode ser indiciado e preso ao final do processo, uma vez que é responsável pela criança.

Para a delegada, não restou nenhuma dúvida quanto aos maus-tratos, porém a policial trabalha na perspectiva de provar que o casal, deliberadamente, ou irresponsavelmente, permitiu que a criança morresse, para assim autuá-lo por homicídio culposo. Pra ser ter uma ideia, a criança quando nasceu, há dois meses, pesava 2,7 quilos e dois meses depois morreu pesando apenas dois quilos.

A mãe, Juliana Martins de Sousa, foi autuada e transferida para o Centro de Recuperação Feminino de Redenção, uma vez que em São Félix do Xingu não há celas femininas e também pelo forte clamor popular que o caso causou diante da opinião pública. A mulher poderia sofrer algum tipo de linchamento, ou agressão física.

O marido dela deve ter o mesmo destino, uma vez que também era responsável pela vida da criança, segundo informou a delegada.

ABANDONO

A morte por inanição da criança de apenas dois meses, em São Félix do Xingu, revela o quanto o Estado anda distante das pessoas mais pobres. Juliana Martins de Sousa e o marido Valcley Alves Andrade, aparentemente, são exemplos clássicos do quanto o trabalhador rural vive em completo estado de abandono.

O casal mora numa fazenda distante cerca de 100 quilômetros do centro de São Félix do Xingu. Pra ser chegar ao centro da cidade é uma verdadeira via-crúcis, diante da falta de estradas vicinais em condições de trafegabilidade. Nessa região é regra esse tipo de situação.

Assim, a mulher, segundo fontes da reportagem, não teve acesso às consultas básicas que uma grávida deve ter, o chamado pré-natal, que permite ao médico acompanhar o desenvolvimento da criança. Quando Juliana de Sousa deu à luz a criança, novamente, por ignorância, ou omissão do Estado, não recebeu atendimento médico.

Pra se ter uma ideia, a criança recebeu apenas duas vacinas, sendo que deveria tomar outras quatro vacinas obrigatórias.

Somado a tudo isso, a mulher não amamentava, simplesmente porque não produzia leite materno, pois também sofria de desnutrição. A criança deveria receber alimentação especial, algo bastante distante da realidade do casal que vive com apenas um salário mínimo e numa casa paupérrima sem o mínimo de conforto. (Diário do Pará)

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