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Terça-feira, 03/01/2012, 00h47

Palhaços Trovadores "o palco é a rua"

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A rua ainda é o grande palco da arte produzida pelos 13 integrantes da Associação Cultural Palhaços Trovadores. Mesmo depois de conseguir um espaço próprio, a Casa dos Palhaços, o grupo não abandonou as apresentações em praças, comunidades, bairros, cidades do interior. E a razão de tudo isso está ligada à essência do trabalho dessa trupe, que ao unir teatro, circo e dança no caldeirão da cultura popular, tenta levar o teatro “para as pessoas com pouco acesso às casas de espetáculos”.

É uma filosofia de vida a forma de atuação dos Palhaços. Um jeito de construir a própria arte e compartilhá-la com o povo, que em 2012 vai ganhar a estrada e percorrer as fronteiras do Pará e do Brasil, levando riso e alegria para cidades de vários cantos do país. Na entrevista a seguir, o diretor e criador dos Palhaços Trovadores, Marton Maués, conta um pouco sobre esse e outros projetos do grupo para os próximos meses do ano, que está apenas começando.

Trovadores no interior

P: O ano de 2011 foi muito positivo para o grupo. Em novembro, por exemplo, Os Palhaços Trovadores tiverem dois projetos contemplados, um no edital do Prêmio Procultura de Estímulo ao Circo, à Dança e ao Teatro; e o outro no Myriam Muniz de Teatro. Foi uma espécie de presente já que novembro é o mês de aniversário dos Palhaços Trovadores, certo? A partir desses dois prêmios, quais os planos do grupo para 2012?

R: Realmente foram dois bons presentes de aniversário. Os dois prêmios contemplam circulação com um dos nossos maiores sucessos, o espetáculo “Amor Palhaço”, que completa 10 anos agora em 2012. Nosso projeto é fazer uma reformulação no espetáculo, com novo visual, figurinos e cenários. E o primeiro passo é organizar o projeto de turnê, pois temos que cumprir agenda de apresentações por nove cidades fora do estado, e mais cinco dentro do estado. Nada fácil.



P: A Caravana do Riso, que propõe a circulação do espetáculo Amor Palhaço, projeto selecionado Procultura, vai começar a percorrer quando os municípios? Quais serão as cidades?

R: Devemos começar a viajar em julho, pelas cidades do sudeste do país: Belo Horizonte/MG, Campinas/SP, Rio de Janeiro/RJ, e Brasília/DF. Daí, emendamos com o roteiro do prêmio Myriam Muniz, que parte de Brasília e vai para Goiânia/GO, Palmas?TO, Imperatriz e Carolina/MA. As cidades paraenses são: Cametá, Capitão Poço, Igarapé-Miri, São Caetano de Odivelas e Vigia, nunca antes visitadas por nós.



P: Como é que o grupo selecionou os municípios que vão receber os espetáculos? Quais critérios foram utilizados para definir o roteiro das cidades?

R: Selecionamos principalmente cidades que ainda não foram visitadas por nós. E nossa proposta é realizar apresentações para comunidades mais carentes de produtos culturais, isso mesmo nos outros estados que visitaremos.



P: Os caminhos vão ser por terra, água ou ar?

R: Dependendo da cidade, teremos todos os caminhos: terra, água e ar, sobretudo em se tratando de Pará.



P: A seleção no edital do Prêmio Myriam Muniz, o título do projeto é “Amor Palhaço na Belém-Brasília”. Como é que vai ser essa “outra” caravana?

R:Em ambos os projetos faremos apresentações fora do estado. A ideia do Myriam Muniz foi percorrer a linha que une Belém a Brasília através da estrada.



P: Atualmente, quantos e quem são os membros da trupe?

R: Somos 13 pessoas: Alessandra Nogueira (Neguinha), Cleice Maciel (Pipita), Joyce Baruel (Baru), Romana Melo (Estrelita), Rosana Coral (Bromélia), Sonia Alção (Pirulita), Suani Corrêa (Aurora), Adriano Furtado (Geninho), Jorge Torres (Ricárdio), Marcelo David (Feijão), Marcelo Villela (Tchelo), Isaac Oliveira (Xuxo) e Marton Maués (Tilinho).



P: Desde 2010, Os Palhaços Trovadores conta com uma sede própria. Ter um espaço próprio era luta antiga. O que mudou no trabalho do grupo depois da instalação em um espaço próprio?

R: Era sim uma luta antiga. A casa nos foi cedida pela Santa Casa de Misericórdia. Era um imóvel abandonado, que tivemos que praticamente reconstruir e aparelhar, sem apoio nenhum. Ainda estamos batalhando por melhorias no espaço, que sabemos ser fundamental para o desenvolvimento da pesquisa de qualquer grupo. Mas não queremos somente isso, queremos - e estamos fazendo isso - abrir a casa para a comunidade, através de projetos e compartilhamento com outros grupos.



P: Apesar de o grupo ter conquistado um local que possa chamar de seu, ainda é possível ver espetáculos de vocês na rua, nas praças principalmente...

R: A maioria de nossos trabalhos não cabe na Casa dos Palhaços. O espaço é pequeno, tem capacidade para no máximo 40 pessoas e nas praças temos um público de até 500 pessoas ou mais. Nosso trabalho é dedicado aos espaços abertos, somos rueiros, sem nos furtarmos de nos apresentar em teatros também. Nestes 13 anos de trabalho, sempre tivemos como filosofia levar teatro para as pessoas com pouco acesso às casas de espetáculos, por isso estamos sempre nas praças, nos bairros, nas comunidades, cidades do interior.

P: E quais os projetos para a Casa dos Palhaços em 2012?

R: Estamos desenvolvendo alguns projetos na casa, como o “Palhaçadas de Quinta”, em que reunimos palhaços da cidade apresentando cenas curtas, juntamente com nosso elenco, na última quinta de cada mês. Temos também o “Bailinho Infantil”, em fevereiro, e o “Palhaçada na Roça”, em junho, dedicados exclusivamente às crianças. Pretendemos continuar tocando estes projetos. Estamos também fazendo contato com escolas, para apresentar pequenos espetáculos para turmas de até 50 alunos, na parte da tarde. Queremos realizar oficinas, cursos, palestras, encontros. Temos muitos sonhos, muitos projetos para a casa.



R: O contato com a cultura popular resultou no desenvolvimento de uma poética, um modo peculiar de fazer teatro com palhaços utilizando estes elementos populares, que pretendemos cada vez mais aprofundar, desenvolver, manter. A cultura popular é um manancial riquíssimo, ao qual estamos ligados e do qual não pretendemos abrir mão. Vimos já, por duas vezes, que mesmo quando montamos um texto de Molière, um clássico francês do século XVII, o fazemos utilizando recursos e elementos poéticos e estruturais destes folguedos. Por que abrir mão?



P: Estamos na primeira semana de 2012, ainda é época de planejar, pedir e desejar. O que a trupe do riso espera dos próximos dias e meses do ano?

R: Esperamos poder seguir tocando nosso trabalho, poder continuar realizando este encontro constante dos palhaços com o público, encontro que nos enriquece, porque sentimos a alegria que podemos compartilhar com os outros, crianças, jovens e adultos. Nestes 13 anos estamos conseguindo isso. (Diário do Pará)

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