Sexta-feira, 23/12/2011, 02h58
A iniciativa prevê a capacitação dos indígenas para gerenciar seus próprios negócios
Tembés produzem diariamente polpa de frutas e farinha em processo que beneficiará 40 famílias
Demorou, mas ao que tudo indica os índios Tembés que habitam a parte da reserva Alto Rio Guamá, localizada na região do Gurupi, na divisa com o Maranhão, a 450 km de Belém, encontraram o caminho para reduzir a dependência em relação à Funai.
Eles já produzem diariamente 60 quilos de polpa de frutas e 200 quilos de farinha de mandioca processados em duas usinas instaladas na aldeia Cajueiro, que devem render estimadamente R$ 10 mil por mês e beneficiar 40 famílias, mas o valor pode subir, dependendo do tipo polpa extraída. A de bacuri, por exemplo, é mais valorizada no mercado. Uma terceira usina, de farinha, será instalada na aldeia Tekohaw, em janeiro de 2012.
Quarenta índios, incluindo 20 mulheres, foram capacitados e aprovados para operar as duas usinas em curso ministrado por dois instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). “No início, eles (índios) encontraram alguma dificuldade, mas no decorrer do curso foram se adequando com facilidade”, afirma Carlos Alberto dos Santos, assessor técnico do órgão.
Ele acrescenta que os índios precisarão ser acompanhados por técnicos do Senar em determinados períodos da produção.
Reginaldo Tembé, cacique na aldeia Cajueiro que participou do curso capacitação, garante que só com esse tipo de iniciativa os índios poderão gerir seus próprios negócios. “Nós queremos trabalhar, ganhar nosso dinheiro, mas precisamos de ajuda, de orientação. Esse projeto (capacitação para extrair polpa de frutas e produzir farinha de mandioca industrializada) comprova que temos capacidade”.
O projeto, que prevê o fortalecimento da cadeia produtiva de frutas (açaí, bacuri, caju, manga, mucá e guajará) e mandioca nas aldeias indígenas, foi idealizado pela Coordenação Técnica da Funai, com sede em Belém, e viabilizado por meio de convênio firmado entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (programa Território da Cidadania), Prefeitura de Paragominas e Caixa Econômica Federal.
O investimento para construção das três usinas, compra de equipamentos e capacitação de 40 índios atingiu R$ 260 mil.
“A Funai, sozinha, não dispõe de meios para tocar projetos desta natureza. Precisamos firmar parceria com outros órgãos”, reconhece Juscelino Bessa, titular da Coordenação Técnica do órgão indigenista em Belém, que também presta assistência aos índios Tembé que habitam as reservas indígenas Turé-Mariquita, Tembé do Acará-Miri e Urumateua, no município de Tomé-Açu, e Maracaxi, em Aurora do Pará, num total de dois mil índios.
Na primeira fase do projeto, prefeitura de Paragominas comprará e destinará a produção farinha de mandioca e polpa de frutas para a merenda de cinco escolas da região. Numa segunda etapa, será comercializada na Feira do Produtor, do município.
“A prefeitura de Paragominas tem o maior interesse em ajudar os índios, assim como os outros segmentos sociais ligados à agricultura. Pretendemos continuar fazendo parceria com a Funai em benefício dos indígenas da nossa região”, afirma Marcos Amaral, secretário de Agricultura da prefeitura do município. (Diário do Pará)
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