Segunda-feira, 28/11/2011, 02h55
Ao mesmo tempo em que, por suas excelentes condições agroecológicas e localização geográfica estratégica, o Pará remanescente seria o maior produtor brasileiro de óleo de palma, principalmente com o programa de incentivo do governo federal à produção e exportação de biodiesel, o Pará que sobrasse caso haja divisão territorial perderia grande parte do rebanho que hoje possui. É o que mostra o estudo feito pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), divulgado na última sexta-feira.
Segundo o Idesp, a pecuária no Pará remanescente teria menor importância econômica que nos propostos estados do Tapajós e Carajás, em função da baixa produtividade dos rebanhos da zona Bragantina e, principalmente, do Marajó. Devido às restrições sanitárias, atualmente, os rebanhos da área do Pará remanescente só poderia abastecer os mercados locais.
O Idesp avalia que a produção comercial de grãos tem melhores condições de prosperar na região sul, especialmente para o grande número de áreas degradadas disponíveis ao aproveitamento nos municípios de Paragominas, Dom Eliseu e Ulianópolis, que possuem extensas áreas de pastagens degradadas aproveitáveis por intermédio do uso de tecnologias modernas de recuperação da fertilidade e cobertura do solo, com práticas de plantio direto e integração da lavoura, pecuária e silvicultura. A competitividade dos principais cultivos dependeria do aumento da produtividade via uso de tecnologia e insumos a preços acessíveis.
Um problema levantado pelo Idesp seria a pressão que certamente as áreas florestais dos novos estados sofreriam. Na atualidade, a Amazônia Legal brasileira apresenta em seu território cerca de 3 milhões de km² de florestas nativas, onde 27% encontram-se no Estado do Pará, representando 71 % do território deste Estado.
Os dados do Projeto TerraClass, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostraram que do total da extensão territorial do Tapajós 85,03% são cobertas por florestas nativas, e parte do restante da área desse território se distribui entre áreas de outros tipos de vegetação (5,06%) e área de pasto (2,80%). No Carajás, a área de floresta representa aproximadamente 50,30% da extensão territorial e 30,05% é formada por pastagem.
Do total da extensão territorial do Pará remanescente, 52,76% da sua área é formada por florestas. As áreas de pastagem representam 9,45%. (Diário do Pará)
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