REDIRECIONAMENTO PARA O DOL - QUANDO O ACESSO AS PAGINAS FOR WWW.DIARIODPARA.COM.BR
Notícias Esporte Você Comunidade

CAMINHADA

Empregadas domésticas reivindicam em Copacabana

Pará
Publicidade

Terça-feira, 25/10/2011, 07h08

Pontos de açaí notificados ainda funcionam

Tamanho da fonte:

Mesmo após a notificação de fechamento dos pontos de venda de açaí na feira do Telégrafo, em Belém, feirantes arriscaram manter as portas abertas durante a manhã de ontem. “Estou correndo atrás do prejuízo. O movimento já caiu pela metade desde que o caso começou a aparecer na mídia. Mas dependo desse trabalho, não tem como ficar parado”, afirma um dos feirantes atingidos pela medida.

Na última sexta-feira (21), o Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa), da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), determinou o prazo de 72 horas para a suspensão das atividades de quatro pontos de comercialização da polpa da fruta no bairro. De acordo com a notificação, a justificativa para os locais encerrarem suas atividades seria não possuírem licença de funcionamento.

“Isso foi só uma desculpa que eles encontraram para perseguir a gente. Trabalho aqui há cinco anos, pago todo mês uma taxa de funcionamento de R$ 30 para a Secon (Secretaria Municipal de Economia)”, reclama o batedor de açaí.

A medida seria uma prevenção ao atual surto de doença de chagas na capital. Segundo levantamento feito pela Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), aumentou para 85 o número de casos confirmados da doença no Pará este ano. As novas notificações são de Belém e dos municípios de Ananindeua e Bujaru. Belém registrou 36 casos da doença, em 11 bairros. O Telégrafo é o que tem maior incidência, com nove casos confirmados e dois óbitos.

Apesar de as investigações serem inconclusivas a respeito do foco da doença, a suspeita é que o consumo da polpa de açaí contaminada pelo barbeiro seja o responsável pelas mortes.

SAZONAL

“Em todo período de safra acontece a mesma coisa. Aumenta a procura pelo açaí, o preço sobe, a qualidade cai e as pessoas adoecem”, afirma o feirante Edvaldo Alves da Silva, 56, proprietário de uma barraca de farinha na feira do Telégrafo.

O filho dele, o também feirante Neguebe Rosa da Silva, 31, foi diagnosticado com a doença no último dia 11. Antes disso. ele passou 18 dias sofrendo de dor de cabeça, febre e calafrio. “Ninguém soube diagnosticar a doença. Foram feitos três exames em laboratórios particulares, ele passou pela mão de diversos médicos do plano de saúde. Só recebeu paracetamol e soro. Foi um vizinho que disse que achava que era doença de chagas”, conta Edvaldo.

Fora de perigo desde que começou o tratamento no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), ele consumia açaí constantemente. “Os técnicos da Sesma passaram na casa dele e não acharam traços do barbeiro. Ele bebia açaí todos os dias, daqui (da feira do Telégrafo), de supermercado. Agora, o Neguebe está bem e todos da família fizemos o exame para ver se estávamos com a doença. Mas só deu positivo para ele”, diz.

Na opinião de Edvaldo Alves da Silva, pai de Neguebe, a fiscalização tem que ocorrer, mas sem exceções. “Não acho correto focar apenas no vendedor de açaí. Eles estão a fim de cooperar, se profissionalizar. Agora, não pode pegar um ou outro para bode expiatório”, analisa.

A família da costureira Terezinha de Jesus Silva, 69, que faleceu na última quarta-feira, 19, por causa da doença de chagas, também relata o despreparo do sistema de saúde de Belém para tratar da doença. “Ela ficou 22 dias sem ser diagnosticada corretamente. Passou por sete hospitais diferentes, PSM da 14, Beneficente Portuguesa, ninguém soube dizer o que era. Foi minha vizinha que tinha tido a doença que disse para levarmos ela ao Evandro Chagas, para fazer exames”, relembra Lucinda de Jesus Silva, irmã da vítima.

A costureira ficou internada desde o dia 13 de outubro, quando foi diagnosticada já com a forma aguda da doença, aparentando inchaço na perna e no abdômen.

“Não acredito que os médicos daqui sabem tão pouco sobre uma doença tropical. Minha irmã poderia estar viva se tivesse um diagnóstico mais rápido”, aponta.

Até o fechamento desta edição a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) não se manifestou sobre o assunto.

Como foi visto pela reportagem, fora da feira, diversos pontos de açaí comercializavam o fruto livremente. “Ninguém (da Vigilância Sanitária) passou por aqui, não. Estamos funcionando normalmente”, afirma Denis Rodrigues, que trabalha em um ponto na Padre Araújo com a Curuçá, a um quarteirão da feira do Telégrafo.

REUNIÃO

O presidente da Associação dos Batedores de Açaí de Belém, Marivaldo Ferreira, se reuniu, ontem à noite, com os donos dos cinco pontos de venda fechados pela Devisa, localizados nas ruas Curuçá, Magno de Araújo e Coronel Luiz Bentes, no Telégrafo. Eles decidiram ir até à Devisa, às 8h de hoje, para tentar negociar uma solução para o problema. Segundo ele, 15 famílias ficaram sem renda por causa da medida.

ENTENDA

DOENÇA DE CHAGAS


A doença de chagas é uma doença infecciosa febril causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Pode ser adquirida por meio do contato direto com as fezes do inseto, chamado barbeiro, e causa problemas cardíacos e digestivos.

No caso da transmissão oral, em razão da higiene inadequada, fezes ou o próprio inseto são processados junto com a polpa e ingeridos pela população.

PARA DENUNCIAR

Para fazer denúncias sobre pontos irregulares de açaí e também sobre supostos focos do barbeiro em Belém, o Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa) da Sesma disponibiliza um número de telefone que funciona das 8h às 14h: 3246-8915.

(Diário do Pará)

Comentários Recentes

  • ARMANDO MALATO disse: Comentário postado em 25/10 Terça-feira às 23:45h "Não é concebivel que a (Sesma), acuse o açai, como responsável pelo surto de doenças de chagas em Belem e interior, que devido a sua população não se pode nem considerar como uma epidemia. É sabido também que o reduto de moradia do protozoário trasmissor desta doença, é na maioria, no nordeste do Brasil, pelo tipo de construção de moradias, em seu interior, ser quase totalmente de taipa,que é o local de abrigo e proliferação do inseto, sendo completamente descabida a hipótese de vir do açai, que já se consome há séculos nesta região.
    Porque não pensar nos silos de milho, arroz feno, e topo tipo de aglomerados e a falta dehigiene nestes locais. Como é que a Secretaria de Saúde, em menos de um mês, pode chegar a esta conclusão sem fazer nenhuma pesquisa que demoraria muito tempo para se certificar dos resultados. Estudem o assunto com cuidadopara que não deixem o povo alarmadocom tão poucas conclusões sem fundamento. "
Mostrar mais comentários [+]
Siga-me

Lojas do Tem! (Classificados)


IT Center
Shopping Pátio Belém - 2o piso
Shopping Castanheira - 1o piso
Gaspar Viana, nº 778
Yamada Plaza (Av. Gov. José Malcher)
Yamada Plaza (Castanhal)
Formosa Duque (Subsolo)
Formosa Cidade Nova (Subsolo)
RBA - Av. Almirante Barroso, 2190


Call Center Tem! (Classificados)
(91) 4006-8000

Fale Conosco

(91) 3084-0100

Central do Assinante

(91) 4006-8000

Endereço

Av. Almirante Barroso, 2190
CEP 66095.000 - Belém-PA

Redação


(91) 3084-0119
(91) 3084-0120
(91) 3084-0126
(91) 3084-0100

Ramais: 0209, 0210 e 0211