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Domingo, 05/06/2011, 01h28

Giovanni Gallo vai ao cinema

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A trajetória do padre italiano Giovanni Gallo é tema do documentário “Ajuntador de Cacos” (2011), de Paulo Soares. O sacerdote jesuíta atuou por 30 anos na ilha do Marajó, até sua morte em 2003.

O filme, com lançamento previsto para o dia 14, no Instituto de Artes do Pará (IAP), recebeu incentivo do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet, com o patrocínio da Eletrobras.

Com 56 minutos de duração, “Ajuntador de Cacos” registra o impacto da obra social e cultural do padre na região. Giovanni Gallo fundou o Museu do Marajó em 1972, uma entidade comunitária com sede no município de Cachoeira do Ararí. A instituição até hoje se constitui na única referência sobre história e cultura marajoara presente na ilha. Reúne em seu acervo uma vasta pesquisa antropológica desenvolvida pelo próprio padre, além da preservação de dezenas de peças arqueológicas indígenas, algumas anteriores ao período colonial.

“O universo de Giovanni Gallo é muito grande. Ele tem as vertentes religiosa, política e acadêmica. Optamos por explorar a faceta cultural de Giovanni. Partimos do mote de fazer um registro do museu e, a partir daí, contar sua história”, conta o diretor Paulo Soares, 47 anos.

O documentário foi incentivado em vida pelo próprio padre, que idealizou o museu como uma ferramenta para fortalecer o turismo na região e estimular o desenvolvimento sustentável.

“O filme surgiu de uma conversa com o padre Giovanni Gallo, durante uma visita ao Museu do Marajó, em 2002. Ele tinha essa vontade de fazer um filme institucional sobre o espaço. Ele dizia: ‘As pessoas vêm ao museu e querem levar um souvenir. Quem sabe um filme daqui não incentiva a visitação?’”, relembra Paulo Soares.

Como a obra de Gallo é indissociável de sua vida, o projeto ganhou novos contornos e teve que esperar até engrenar de fato, explica o diretor. Iniciada em 2007, a produção do longa assinado pela Lux Amazônia Filmes foi resultado de quatro expedições à ilha realizadas ao longo de três anos.

A pesquisa envolveu mais de 20 horas de imagens de arquivo de Giovanni Gallo, além de 30 entrevistas de pessoas que conheceram e trabalharam com o religioso e centenas de registros fotográficos produzidos por Giovanni Gallo, que também era fotógrafo.

TRAJETÓRIA

A primeira parte do documentário trata da formação do padre, sua infância na Itália e sua educação religiosa com os jesuítas. Em 1970, ele é enviado em missão ao Brasil. Após passar um período na Bahia e no Maranhão, consegue ser transferido para o Marajó. “O grande sonho dele era trabalhar na Amazônia, desde que chegou ao Brasil”, diz Paulo.

O trabalho religioso começou na vila de pescadores de Jenipapo, próxima de Santa Cruz do Arari, no Marajó.

“Lá ele começou a tentar entender o nativo da região. Acompanhou o trabalho de pescadores, conversou com donas-de-casa. Viveu da mesma forma que os ribeirinhos viveram”, afirma.

O padre desenvolveu então uma série de obras sociais, como a construção de um trapiche, uma pista de pouso para aviões, escolas, posto de saúde e cooperativas de artesanato.

“Tudo isso começou a incitar a ira do poder local. Os prefeitos da região se sentiam intimidados pela quantidade de obras que ele conseguia realizar e pela sua popularidade. A igreja também não via esse trabalho com bons olhos, já que encarava sua independência e iniciativa como uma quebra de hierarquia”, conta.

Como retaliação, o Museu do Marajó era o alvo preferencial dos ataques. A instituição mudou três vezes de sede: de Jenipapo para Santa Cruz do Arari até se fixar em Cachoeira do Arari, em 1984.

O título do documentário faz referência ao apelido que o padre ganhou dos ribeirinhos por colecionar fragmentos de cerâmica marajoara na região. Em Cachoeira do Arari existe um dos maiores sítios arqueológicos do Marajó. Há registros de civilizações como a Aruá, que remontam a mais de dois mil anos e teriam desaparecido antes da chegada dos primeiros portugueses em Joanes, no município de Salvaterra.

O Museu do Marajó foi pensado para recolher e acondicionar de forma apropriada essas peças. Posteriormente, Gallo passou a registrar o cotidiano do caboclo marajoara. “Ele reuniu horas de entrevistas com vaqueiros, conversando sobre como faziam seu trabalho, que ferramentas usavam. Além disso, fez centenas de fotografias das pessoas que vivem ali e pequenos documentários em Super-8. O museu é um reflexo desse deslumbramento dele pelo Marajó”, conta Paulo.

No Museu do Marajó, as peças são dispostas em móbiles e engenhocas que incentivam o público a interagir com o acervo. “A ideia dele é que o museu fosse uma extensão do homem marajoara. E ele percebeu com as crianças que tocar fazia parte do aprendizado”, diz o diretor.

Ficha técnica

“O Ajuntador de Cacos”

Doc, 56 min, Marajó, 2010

Direção: Paulo Miranda

Roteiro: Paulo e Rutinéa Miranda

Pesquisa: Lino Ramos

Direção de fotografia: Sandro Miranda

Direção de Produção: Álvaro Andrade

Produção Executiva: Rutinéa Miranda

Produção: Lux Amazônia Filmes

Serviço: Lançamento do documentário “O Ajuntador de Cacos”, de Paulo Miranda. Dia 14, às 19h, no Auditório do Instituto de Artes do Pará (Praça Justo Chermont, 236, Nazaré). Informações: 4006-2918. (Diário do Pará)

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