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Domingo, 30/01/2011, 04h29

Relembre os detalhes da queda do prédio em Belém

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Relembre os detalhes da queda do prédio em Belém

A tranquilidade dos moradores de Belém foi quebrada na tarde deste sábado (29) por uma tragédia: um edifício em construção de 32 andares da empresa Real desabou na rua 3 de Maio com avenida José Malcher. Quatro operários ficaram soterrados e até agora não foram localizados. Cerca de 100 famílias ficaram desalojadas e algumas casas e edifícios próximo ao local do desmoronamento foram atingidas. Em pouco tempo tudo ficou reduzido a escombros e poeira.

>>Veja as imagens da tragédia

>>Veja os vídeos do desmoronamento

A situação foi de desespero e repetiu a tragédia do edifício Raimundo Farias, que caiu e matou 40 operários em 1987.

Hoje o desabamento ocorreu por volta das 14hs soterrando carros, operários e ferindo moradores e pessoas que passavam próximo ao local. Entre os feridos estavam o operário Raimundo Fonseca, o primeiro a ser resgatado dos escombros. Ele foi enviado para o Pronto Socorrro da 14 de Março.  Maria José que passava pelo local na hora do acidente machucou o rosto também foi encaminhada para o PSM.

No tumulto, uma senhora foi pisoteada. Ela foi levada ao PSM e já recebeu alta. Oito operários estariam trabalhando no local neste sábado. Antes da tragédia 4 conseguiram sair e o outros seguem desaparecidos. São eles: Manoel Raimundo da Paixão Monteiro, José Paulo Barros, Isaias Marques Maffra. O operário Luis Nazareno Lopes ainda está sem confirmação se estava no local na hora do desabamento Outra pessoa que está desaparecida é Maria Raimunda Ribeiro Fonseca, de 67 anos, que morava em uma casa próxima. A família continua no local à espera de notícias.

O  operário Daniel Lobato escapou de ser uma das vítimas da tragédia. Ele estava escalado para trabalhar neste sábado na limpeza do edifício mas faltou ao serviço. "Bate uma felicidade por não ter ido e estar vivo aqui para contar a história e tristeza pelos meus companheiros que estavam no local. É muito dificil. Estou vendo as imagens e não consigo acreditar no que está acontecendo. Também visitei o local hoje a tarde e fiquei muito triste porque eu poderia estar lá", disse emocionado em entrevista por telefone a TV RBA. Daniel trabalhava e era amigo dos funcionários que estão desaparecidos.

Resgate

Diante de uma tragédia o melhor é unir forças. Assim chegaram ao local Defesa Civil, Exército, Cruz Vermelha, Samu, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Fuzileiros Navais. A Força Nacional de Segurança também disponibilizou, na capital federal, uma equipe para auxiliar no trabalho de buscas às vítimas do desabamento. Eles aguardam apenas solicitação do Governo do Estado para enviar seus homens.

Cães farejadores também são utilizados nas buscas de corpos.

Lonas separadas por cores, organizadas pelo Samu e Cruz Vermelha formavam o posto médico de triagem de desastre. Cinza para morte, vermelho para feridos graves, amarelo para fraturas expostas e verde para escoriações leves.

Uma ambulância tipo UTI e quatro Unidades de Suporte Básico (USB) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) foram encaminhadas para o local.  Ao todo, cerca de 30 profissionais de resgate, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas estão lotados nas ambulâncias no local.

As equipes vão trabalhar em plantões de 24h. Voluntários da Cruz Vermelha também estão auxiliando para fornecer comida e água para as pessoas envolvidas no resgate.

Estragos

Após o desabamento, a Defesa Civil e Bombeiros determinaram a evacuação do prédio Blumenau localizado a direita do prédio da Real. No momento da saída das pessoas, o Blumenau estalou e o pânico se espalhou entre os moradores. Diversas pessoas corriam pelas ruas em busca de ajuda. A estrutura do prédio Blumenau pode ter sido abalada pelo desmoronamento do Real Class. Somente neste domingo uma vistoria vai definir se os moradores poderão ou não retornar às suas residências.

Várias residências da redondeza também sofreram abalo na estrutura e rachaduras nas paredes.

Trânsito e energia

Após o desabamento, as ruas 3 de Maio, José Malcher foram interditadas por segurança. PM's e fuzileiros navais fazem um cordão humano para evitar curiosos e manter a segurança no local.  O fornecimento de energia também foi interrompido na área.Refletores de energia foram instalados para auxiliar no trabalho de resgate das equipes.

Irregularidades

Autoridasdes estiveram presentes no local da tragédia. Em nota, o governador Simão Jatene declarou que vai determinar à área de defesa do governo do Pará o levantamento de informações sobre denúncias de moradores da área que teriam sido feitas, anteriormente, a respeito de problemas no edifício. Durante a visita de Simão Jatene, nesta tarde, ao local do desabamento, ele afirmou que o Ministério Público recebeu inúmeras denúncias de moradores da proximidade sobre supostas irregularidade na construção.

Jatene disse ainda que vai acionar o Crea (Conselho regional de Engenharia e Arquitetura do Pará) e outros organismos que forem necessários. E, de acordo com o que for apurado, tomar as medidas cabíveis.

O prefeito Duciomar Costa e o presidente do Crea irão se pronunciar após resultados dos laudos. Caso as irregularidades sejam comprovadas, os responsáveis pela obra serão penalizados.

Suspeita

Uma das hipóteses que podem explicar o desmoronamento do edifício é uma falha geológica. A ideia foi levantada pelo engenheiro calculista do prédio, Raimundo Lobato da Silva, que fez os cálculos do prédio que ruiu.

De acordo com ele, a falha teria causado danos no estacamento que não teria suportado a estrutura predial. "O solo de Belém é problemático. Há locais onde a camada é bem resistente em cima, mas por baixo é menos resistente. As estacas do prédio podem ter sido fincadas nessa camada pouco resistente, não resistiram e ocasionaram a queda do prédio. Mas é bom deixar claro que isso é apenas uma suposição minha. Apenas a perícia poderá dizer o que de fato ocorreu", explicou em entrevista ao Diário do Pará.

Ele informou que faz visitas mensais ao prédio e esteve lá na quarta-feira passada. "Posso dizer que prédios de concreto avisam quandos estão mal estruturados ou que vão cair. Nesse caso do Real Class não havia nenhum tipo de aviso, nenhuma rachadura. Estive lá".

Ele confirmou que todos os 32 andares estavam concluídos. Com 70% do prédio vendido, o Real Class começou a ser construído em 2008 e seria entregue no final do ano. Tinha 60 apartamentos, com 122 m² e três suites cada, vendidos a R$500 mil cada.

Outro lado

A construtora Real, responsável pela construção do edifício que desabou divulgou nota se pronunciando sobre o ocorrido. Leia, na íntegra:

"A REAL CLASS SPE, proprietária do edifício acidentado neste sábado, 29 de janeiro, em Belém, lamenta o ocorrido. A empresa está solidária com todos os envolvidos no acidente. E, ao mesmo tempo, garante que não medirá esforços para investigar as causas do episódio e dar assistência às pessoas atingidas pelo sinistro. Aguardando os laudos periciais, a REAL CLASS SPE está disponível para os procedimentos que o caso exige. A empresa REAL CLASS SPE nasceu do Grupo Real Engenharia, que atua há 27 anos no mercado de construção e incorporação, na Região Metropolitana de Belém. O Grupo já entregou onze empreendimentos, num total de aproximadamente 600 unidades residenciais. A DIRETORIA" (DOL)

Comentários Recentes

  • luis antonio leão disse: Comentário postado em 01/04 Sexta-feira às 23:57h "realmente foi assustador estive lá,estava servindo o exercito e fomos destacado para esta missão....."
  • Anônimo disse: Comentário postado em 31/01 Segunda-feira às 14:53h "Não entendo porque construir edificios tão altos, pois além de impedir a circulação do vento, ainda põe vidas em risco. Acho que os vereadores ou deputados estaduais de Belém devem elaborar imediatamente uma Lei que impeça construção de edificios de mais de 20 andares, pois é um absurdo que um prédio tenha mais andares que isso. As construtoras devem pensar em vidas e não em quantidades de APS, que so engordam os bolsos delas e mais nada. É bom ter vistorias naqueles prédio da Doca de Souza Franco."
  • anonimo0-09 disse: Comentário postado em 30/01 Domingo às 12:06h "Triste, mas não surpreso. Tais coisas ficam até normais quando aluno de engenharia, quando quer desparecer pela dureza que sente em calcular uma derivada simples, vai sentar-se na beira no guamá em cima de um pedaço do que tentaram fazer muro de arrimo. Educação custa caro, mas falta dela custa muito mais."
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