Sexta-feira, 10/09/2010, 02h52
Os cabos da PM Alacides e Aleixo foram os últimos a serem presos. Já o Valdeci continua foragido
Os cinco policiais militares da 11ª Cia Independente de Polícia Militar de Rondon do Pará que participaram da chacina que vitimou o fazendeiro Everaldino Vilas Boas de Almeida, a mulher dele e o filho do casal de 14 anos, todos já se encontram presos. O assassinato aconteceu no dia 12 de fevereiro quando a família se dirigia para a fazenda Graciosa, na vicinal do Córrego do Garrafão, em Rondon do Pará.
O último dos militares que faltava era o cabo José Alacides Santos Barros que, ao tomar conhecimento do mandato de prisão preventiva, se evadiu de Rondon, mas se apresentando ontem (9), em Belém, ao oficial corregedor Ariel Dourado Sampaio M de Barros e depois foi transferido até a penitenciária “Coronel Anastácio Neves”, em Americano, para cumprir a custódia preventivamente à disposição da Justiça.
A quebra do sigilo telefônico e o relato de testemunhas também revelaram que o denunciado cabo Alacides, por sua vez, tinha prévio conhecimento do plano para matar Everaldino, Rosa Amélia e o menor de 14 anos filho do casal, contudo se omitiu de evitar o resultado quando tinha o dever legal para tanto e a possibilidade de agir.
Caso o cabo Alacides não tivesse ficado inerte teria evitado as mortes, pois sua obrigação de agir decorre da função que exerce, uma vez que é policial militar, portanto, por lei, tem o dever de cuidado, proteção e vigilância aos cidadãos.
Segundo o Ministério Público Estadual, cabe ainda esclarecer que, no decorrer das investigações, ele procurou o investigador da Polícia Civil, Josemar da Conceição Azevedo, relatando-lhe que no crime em questão havia a participação de policiais militares e sugeriu ao investigador que as investigações não fossem adiante, pois se a verdade viesse à tona haveria revolta popular e a corporação da Polícia Militar ficaria em descrédito.
O MOTIVO
A promotoria esclareceu que como Josiel é filho do fazendeiro Everaldino com a senhora Doraci das Virgens Almeida, de quem aquele já se encontrava separado de fato há 8 anos, mas com quem continuava legalmente casado. Entretanto, durante alguns anos, o senhor Everaldino manteve um relacionamento concomitante com a senhora Doarci e a senhora Rosa Amélia, com quem teve o filho Jadson.
O crime foi motivado pelo fato de Josiel querer a imediata divisão dos bens e seu pai se negar a atendê-lo. Relato testemunhal comprova que Everaldino não tinha uma boa relação com Josiel, sendo que o falecido pai criticava a conduta deste, dizendo Josiel não queria trabalhar, mas só “vida boa”.
Rosa Amália e Jadson foram mortos pelo motivo de que, caso ficassem vivos, Josiel, sua genitora e seus irmãos bilaterais teriam que dividir a herança deixada por Everaldino.
O único foragido acusado de participar como um dos executores do crime é o funcionário municipal, Valdeci Pinheiro da Silva, 39 anos. Valdeci está indiciado no inquérito de sua participação nos delitos que são provadas pelo extenso rol de provas testemunhais, pelo cruzamento de dados com a quebra de sigilo telefônico e pelas escutas telefônicas. (Diário do Pará)
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