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Brasil
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Sexta-feira, 10/09/2010, 02h30

Desmatamentos geram grandes prejuízos ao País

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Economista mostra que a devastação ambiental representa perda de US$ 2 trilhões a US$ 4,5 trilhões

A devastação ambiental representa perda de US$ 2 trilhões a US$ 4,5 trilhões em capital natural por ano, segundo dados apresentados ontem, em Curitiba (PR), pelo economista Pavan Sukhdev, coordenador de estudo encomendado pelos países do G8+5 sobre A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB, na sigla inglesa). O objetivo é chamar a atenção para os benefícios econômicos globais da biodiversidade e somar forças que permitam ações concretas. Os valores não foram divididos por regiões, mas o representante do Ministério do Meio Ambiente no encontro, Bráulio Dias, salientou que a parte referente ao Brasil “certamente é importante”.

“Temos as mais extensas florestas e convivemos com taxa grande de desmatamento, além de um aumento (no desmatamento) no Pantanal (MT), que já começa a preocupar”, acentuou Dias. Sukhdev destacou, ainda, o cuidado que o País precisa ter na construção de hidrelétricas. “É preciso uma avaliação das bacias hidrográficas”, disse. Particularmente, em razão da necessidade de florestas em volta dos reservatórios para evitar o assoreamento, que reduz a vida útil da usina e exige mais recursos. Segundo ele, a sedimentação reduz-se de 1% para 0,5% no comparativo entre locais devastados com aqueles que têm florestas intactas.

Para cerca de 100 gestores e formuladores de políticas locais, Sukhdev destacou que a redução na destruição do ecossistema somente será conseguida se houver engajamento de quem toma decisão regionalmente. “Se a ação não é tomada localmente não há ação”, reforçou. “Ver o tamanho econômico dos ecossistemas e deixá-los de fora das contas nacionais é um erro. Deixando invisível, você está criando uma falta de consciência”. Segundo ele, as comunidades pobres e rurais, que vivem em torno de florestas e dela retiram parte do sustento, são as que mais sofrem. No Brasil, ele mensurou o

número como 20 milhões de pessoas. “A biodiversidade é uma necessidade para os pobres e não apenas uma ligação afetiva para os ricos”, afirmou Sukhdev.

AMAZÔNIA

Na questão da Amazônia, o economista acentuou que vale o “princípio do perigo”. “Se existe dúvida razoável de que a perda da Amazônia pode destruir o suprimento de água para US$ 1 trilhão de economia de agricultura para o Paraguai, Argentina e Brasil, então a gente tem que tomar medidas de precaução para evitar que isso aconteça”, disse. “É melhor errar pelo lado da precaução”. De acordo com o relatório do TEEB, “a análise econômica indica que a manutenção de ecossistemas saudáveis é geralmente a opção menos onerosa”.

As decisões que alteraram realidades degradantes

O relatório, que será apresentado em português no dia 14, em São Paulo, destaca 120 exemplos de decisões políticas que alteraram realidades degradantes ao meio ambiente, contando com a participação da comunidade. Como complemento houve redução de custos. Em regiões costeiras do Vietnã, por exemplo, onde mais de 70% da população estão vulneráveis a desastres naturais, as comunidades passaram a plantar e proteger os manguezais, ao invés de construir e manter barreiras artificiais. O investimento de US$ 1,1 milhão poupou custos anuais de US$ 7,3 milhões em manutenção dos diques. “É importante achar solução específica para cada área”, destacou Sukhdev.

Para ele, o Brasil é uma “superpotência” em biodiversidade. “Tem que se posicionar dessa forma no mundo, tem que projetar mais isso”, apelou. O representante do Ministério do Meio Ambiente concordou com a avaliação do economista. (AE)

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