Segunda-feira, 06/09/2010, 03h46
Cercado de grande expectativa, o crime que chocou a população rondonense em 12 fevereiro desde ano, às véspera do Carnaval 2010, quando foi morto em uma emboscada o fazendeiro Everaldino Vila Boas de Almeida, 53 anos, baiano, acompanhado da segunda mulher Rosa Amélia da Silva, 35, e de seu filho Jadson da Silva Almeida, 14, na estrada vicinal do Km-113, que dá acesso às comunidades do assentamento Nova Vitória, Garrafão, Vila Gavião, Vila Mantenha, Gleba do Pitinga, Vila Progresso e se estende até a cidade de Jacundá.
Após a conclusão do inquérito policial, o delegado titular de Rondon, Marco Antônio de Oliveira e Silva, indiciou e representou pela prisão preventiva de Josiel das Virgens Almeida, que é filho do fazendeiro Everaldino, dos soldados PM Carlos Alberto Lima Coelho e Humberto Lima Coelho, dos cabos PM Edson Gomes Ferreira, Paulo Sena Aleixo, Jose Alacides Santos Barros e do servidor público municipal (agente de trânsito) Valdeci Pinheiro da Silva, ao Ministério Público Estadual sob o comando da promotora Liliane Rodrigues de Oliveira.
A investigação apontou que os homicídios foram planejados pelos denunciados Josiel das Virgens, como mandante, Edson Gomes Ferreira, autor intelectual, Humberto Lima Coelho, Carlos Alberto Lima Coelho, Valdeci Pinheiro da Silva e Paulo Sena Aleixo, os quatros últimos acusados como executores. O Cabo José Alacides Santos Barros, por sua vez foi também denunciado por que tinha ciência de todo o projeto, mas se omitiu de evitar o crime quando tinha o dever legal e a possibilidade de agir. Cabe ainda esclarecer que, no decorrer das investigações, José Alacides procurou o investigador da Polícia Civil Josemar da Conceição Azevedo, relatando-lhe que o crime havia participação de policiais militares e sugerindo-lhe que as investigações não fossem adiante, pois se a verdade visse a tona haveria revolta popular e a corporação da Polícia Militar ficaria desacreditada. Os policiais militares envolvidos nos crimes pertencem a 11ª Cia. Independente de Polícia Militar.
ENTENDA O CASO
De acordo a denuncia oferecida pelo Ministério Público Estadual ao juiz de direito da Vara Única da Comarca de Rondon, Gabriel Costa Ribeiro, consta que próximo das 16h, a vítima Everaldino encontrou com seu filho Josiel, fruto do casamento com Doraci das Virgens Almeida, e informou que iria para a fazenda Graciosa, de sua propriedade. Em seguida Josiel ligou para o celular do soldado Carlos Alberto, mais precisamente às 16h20 do mesmo dia, repassando a informação dada pelo pai.
Carlos Alberto, ao tomar conhecimento do roteiro de Everaldino, ele, Humberto Lima Coelho, Valdeci Pinheiro da Silva e Paulo Sena Aleixo dirigiram-se à estrada vicinal do garrafão, localizada no Km-113, cerca de 6 km da rodovia BR-222, que é, justamente o caminho para se chegar à Fazenda Graciosa. Lá ficaram a espreita, esperando a passagem das vítimas. Quando estas passaram a bordo do veículo Ford Ranger Xl F, placa JUG 4306, de cor prata, cabine dupla, os denunciados Carlos Alberto, Humberto Coelho, Valdeci Silva e Paulo Aleixo alvejaram as vítimas com diversos tiros de arma de fogo calibre 38, que morreram no mesmo local.
Promotoria aponta relação entre acusados
Segundo a promotora, todos os horários se conciliam, visto que a testemunha José Domingos Santos, que consta dos autos, declarou que às 16h30 do mesmo dia do crime telefonou para Everaldino, o qual lhe informou que estava na estrada, saindo da cidade, rumo à Fazenda Graciosa.
No laudo pericial de levantamento no local do crime, o perito oficial, ao abordar a dinâmica do evento, esclareceu que havia evidências de existirem pelo menos três elementos armados. Um posicionado em um nível mais elevado da margem esquerda da vicinal onde o veículo parou, e dois outros que se aproximaram das portas dianteiras laterais para disparar contras as vítimas. O quarto elemento ficou responsável por dirigir o automóvel que os acusados utilizavam.
Embora o cabo PM Edson Gomes não tenha participado diretamente da execução do crime, foi um dos mentores intelectuais do delito conforme está nos autos da investigação. Ao ser interrogado pelo delegado Marco Antônio, declarou que estava de serviço no dia do crime, e quando recebeu a informação que no Km-113 da BR-222 havia uma camionete com três corpos, ligou para Josiel avisando que o veículo tinha as mesmas características do carro de seu pai e que estava se deslocando ao local.
Com a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos, foi constatado que Edson Gomes fez, de seu celular, ligação para o celular de Josiel às 19h11 do dia do crime, ligação esta, que durou apenas 27 segundos. E logo em seguida, às 19h13, fez outra ligação, que teve a duração de 112 segundos. Segundo a promotora a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos demostrou que Josiel e Edson Gomes possuíam uma relação muito íntima, posto que se ligavam por diversas vezes.
A promotora concluiu que é difícil acreditar que um amigo daria para o outro a informação de que seu pai e seu irmão haviam sido assassinados em uma ligação de apenas 27 segundos e em outra de 112 segundos de duração, mesmo que tais mortes ainda fossem apenas uma suposição, e depois não manteria mais contato com Josiel. Segundo ela tudo indica que a ligação teve o proposito de apenas comunicar o êxito planejado.
Os envolvidos no crime tentaram negar que possuíam relação estreia entre si, com exceção de Humberto e Carlos Alberto, que não poderiam tentar esconder já que são irmãos. Edson Gomes declarou ao delgado de polícia conhecer Josiel apenas de festas. Contudo, só no período de 1/12/2009 a 17/05/2010, Edson Gomes e Josiel se ligaram 53 vezes.
Gomes, ao ser indagado se possui amizade com os outros dois policiais militares Carlos Alberto e Humberto Coelho respondeu que eram apenas colegas de trabalho. Todavia, em seguida relatou que Carlos Alberto é padrinho de um dos seus filhos.
No dia 08/07/2010 foi dado cumprimento ao mandato de prisão temporária do denunciado Humberto Lima Coelho, o qual declarou conhecer Josiel somente de vista e que nunca esteve na residência do mesmo, bem como nunca participou de nenhuma atividade social ou esportiva com Josiel, fato que não condiz com a verdade, já que foi encontrada uma fotografia na qual os acusados Carlos Alberto, Josiel, Edson Coelho e Humberto Coelho aparecem abraçados.
Outro fato importante que mereceu destaque da promotoria é que no dia 13/02/2010 um dia após o crime Josiel e Edson Gomes estiveram na delegacia de polícia e, sem qualquer tipo de autorização, Gomes abriu as portas do veículo Ford Ranger no qual as vítimas foram encontradas e que estava apreendido para ser periciado, retirou as chaves do veículo Toyota Hilux, também de propriedade de Everaldino, e em seguida as entregou a Josiel, foto presenciado pela servidora dos serviços gerais da delegacia que extrapola as relações institucionais entre as Polícia Civil e Polícia Militar, num verdadeiro ato de invasão à Delegacia Civil.
Situação dos envolvidos
O cabo Paulo Sena Aleixo já se encontra preso preventivamente na cidade de Imperatriz (MA), acusado de ser o atirador que ceifou a vida do ex-secretário de Meio Ambiente Osmar Luna Peixoto, crime ocorrido no dia 11 de setembro de 2007, no bairro Nova Imperatriz, em Imperatriz. Os soldados Carlos Alberto Lima Coelho e Humberto Lima Coelho que são irmãos já se encontram presos no Presídio Estadual “Coronel Anastácio das Neves”, destinado a funcionários públicos no Complexo de Americano, em Santa Izabel do Pará. Waldecir servidor municipal fugiu da cidade, mas a Polícia Civil já tem informações do local onde se encontra e dentre poucas horas efetuará sua prisão, os cabos Edson Gomes e Alacides até o fechamento da reportagem ainda não haviam sido presos, cabendo ao comando da 11ª Cia Independente de Polícia Militar providenciar suas prisões e Josiel que já se encontra preso na delegacia de Paragominas deverá ser transferido para o presídio.
Divisão da herança teria motivado a barbárie
A promotoria esclareceu que Josiel é filho do senhor Everaldino com a senhora Doraci, de quem aquele já se encontrava separado de fato há cerca de 8 anos, mas com quem continuava legalmente casado. Entretanto, durante alguns anos, o senhor Everaldino manteve um relacionamento concomitante com a senhora Doraci e a senhora Rosa Amélia, com quem teve o filho Jadson.
O crime foi motivado pelo fato de Josiel querer a imediata divisão dos bens, e seu pai se negara atende-lo. Relato testemunhal comprova que Everaldino não tinha uma boa relação com Josiel, sendo que o falecido pai criticava a conduta deste, dizendo Josiel não queria trabalhar, mas só “vida boa”. Rosa Amália e Jadson foram mortos já que, caso ficassem vivos, Josiel, sua genitora e seus irmãos bilaterais teriam que dividir a herança deixada por Everaldino. Segundo a promotoria foi notória que a motivação do crime foi totalmente abjeta e repugnante. (Diário do Pará)
Lojas do Tem! (Classificados)
IT Center
Shopping Pátio Belém - 2o piso
Shopping Castanheira - 1o piso
Gaspar Viana, nº 778
Yamada Plaza (Av. Gov. José Malcher)
Yamada Plaza (Castanhal)
Formosa Duque (Subsolo)
Formosa Cidade Nova (Subsolo)
RBA - Av. Almirante Barroso, 2190
Call Center Tem! (Classificados)
(91) 4006-8000
Fale Conosco
(91) 3084-0100
Central do Assinante
(91) 4006-8000
Endereço
Av. Almirante Barroso, 2190
CEP 66095.000 - Belém-PA
Redação
(91) 3084-0119
(91) 3084-0120
(91) 3084-0126
(91) 3084-0100
Ramais: 0209, 0210 e 0211
Copyright 2010 Diário do Pará. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.