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Segunda-feira, 06/09/2010, 03h08

Gravidez precoce: jovens apontam ausência familiar

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Pesquisa com jovens de escolas públicas indica falta de diálogo e informação para garantir prevenção

Cerca de 90% dos jovens do ensino médio de 15 escolas públicas de Belém acha que a responsabilidade de uma gravidez precoce é do casal. Esse foi o resultado da pesquisa realizada pelas professoras Clarice Leonel e Fátima Fonseca, sob coordenação do Dataunama.

Dentre os pesquisados, 8,85% já são pais e mães, mas, em geral, todos os estudantes abordados classificam como situações que favorecem a gravidez precoce a falta de orientação sexual (52,21% das respostas), falta de responsabilidade dos jovens (42,48%), desconhecimento dos métodos contraceptivos (31,86%), falta de diálogo com família, escola, parceiros e sociedade (30,97%), falta de orientação familiar (23%), o incentivo da prática sexual precoce (21%) e a falta de estrutura familiar (13%).

A família sempre aparece nas colocações dos jovens, representando 67% na soma dos itens: falta de estrutura familiar, falta de orientação e falta de diálogo. Os argumentos, segundo as pesquisadoras, implicam o contexto socioeconômico, mas também, aspectos como preconceito, falta de capacitação, falta de tempo para o diálogo e a dinâmica de trabalho pela sobrevivência.

MUDANÇAS

Os jovens opinaram também sobre aspectos que possam mudar na vida do homem e da mulher após a maternidade ou paternidade precoce. No caso da jovem mãe, 53% acham que registram um amadurecimento forçado; 40%, falam em perda de liberdade; 36% indicam a necessidade de interrupção dos estudos; 34%, o comprometimento de viver a juventude, já que é preciso dedicar-se às crianças.

A mudança de projetos de vida foi citada por 16%, enquanto 15% destacaram a necessidade de trabalhar para sustentar o recém nascido, ao mesmo tempo em que há dificuldade de conseguir emprego, o preconceito e a falta de condições financeiras.

As indicações dos entrevistados sobre as mudanças na vida de um jovem que se torna pai precocemente não foram muito diferentes. A resposta de 50,44% dos entrevistados apontou que a paternidade os faz assumir responsabilidade. Para 43,36%, surge a necessidade de procurar emprego, e para 37%, uma gravidez precoce provoca amadurecimento forçado.

A diminuição da liberdade dos jovens foi citada por 29%. Cerca de 15% dos jovens apontam a interrupção dos estudos e 11%, a mudança do projeto de vida, assim como a necessidade de dedicar atenção à criança.

Tanto os homens como as mulheres entrevistadas citam como maiores dificuldades enfrentadas com a gravidez na adolescência a falta de apoio da família (35%), as dificuldades do jovem pai para enfrentar e assumir a responsabilidade (33%); os problemas de saúde para a jovem mãe (20%) e a pressão da sociedade, que manifesta preconceito com a situação (18%) .

Quinze por cento dos entrevistados destacaram os problemas emocionais enfrentados pelo atraso ou desistência nos estudos, o que relacionam com a dificuldade de encontrar emprego para minimizar as dificuldades econômicas.

Desinformação leva a maior incidência de abortos

Para as pesquisadoras, a falta de informações iniciais sobre a gravidez precoce e a gravidade da situação sócio-afetiva e econômica dos jovens implicam na ocorrência de abortos clandestinos, ratificando as informações do DataSus de que a região Norte está em segundo lugar na realização de curetagens pós-aborto. O próprio SUS indica que esses índices são ainda menores do que a realidade, já que apenas as mulheres de baixa renda procuram o sistema de saúde público e somente quando ocorrem complicações hemorrágicas intensas e infecções.

As pesquisadoras destacam ainda dados da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, que indicam o aborto como a 4ª causa de morte materna no Brasil. Mesmo o Brasil indicando que investirá R$ 45 milhões apenas para o Programa do Dia Seguinte, 90% dos jovens pesquisados no município de Belém apontam que a educação sexual na escola é importante para prevenção dos problemas ocasionados por uma gravidez precoce.

Sinônimo de mudanças extremas

A gravidez impõe uma mudança drástica no projeto de vida da juventude fazendo com que os jovens pais, quase sempre, deixem de assumir a responsabilidade e acabem abandonando a criança.

Mesmo com oscilações indicadas pela pesquisa, saber que o jovem tem que assumir a responsabilidade pela gravidez indica que é importante para o casal que o jovem pai também esteja presente não só como responsável, mas como apoio à jovem mãe.

Há 94% dos jovens indicando não estar preparados para a situação, e expressam que a “gravidez não é algo indesejado”, mas que eles reconhecem não ter estrutura sócio-afetiva e econômica capaz de dar conta da maturidade necessária.

A pesquisa destaca que os jovens são ativos sexualmente, mas que 65% desconhecem a existência de ações de políticas públicas disponíveis pelo governo brasileiro, como o Programa de Barateamento da Pílula do Dia Seguinte, que facilita a venda de medicamentos contraceptivos nas redes de farmácias populares e conveniadas, colocando a medicação com custo até 90% mais barato.

Assim, 77% dos jovens indicam que há necessidade de mais programas educacionais e de informação que possam ensinar como evitar a gravidez precoce. (Diário do Pará)

Comentários Recentes

  • Antonio disse: Comentário postado em 06/09 Segunda-feira às 14:13h "Inegável que uma gravidez precoce não altera a vida de uma ou um adolescente. Responsabilizar o pais, será que está correto. Então afinal de quem é a responsabilidade? Estamos tendo progresso em nossa legislação, mas o estado, baseado em pesquisas e informações de uma ciência sem objeto e método de pesquisa, vem tirando a autoridade do poder familiar, transferindo para o estado, e este é um organismo moroso, de dificil tomada de decisões, temos que ficar atento a isto, recentemente, o estado proibiu os pais e responsáveis, tomar medidas mais enérgicas em casos que o requisita (lei da palmada) depois de ouvir pisicólogos. "
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