Domingo, 05/09/2010, 07h31
Vinte e dois anos após a morte do líder seringueiro Chico Mendes a família do símbolo da luta ambiental no Acre tem de conviver com seus assassinos. Após cumprirem menos de 10 anos dos 19 de condenação, os fazendeiros Darly Alves da Silva e Darci Alves Pereira foram libertados e vivem em Xapuri, cidade do interior do Acre onde o seringueiro foi morto. “Temos de conviver com esses assassinos”, reclama a viúva Ilzamar Mendes.
Embora a família Mendes viva em Rio Branco, capital acreana, é comum as viagens para Xapuri, onde foi criada uma fundação para preservar a memória de Chico Mendes na casa onde moravam quando o seringueiro foi morto. “Quem perdeu o pai, o marido e o líder foram minha família e os trabalhadores rurais”, lamenta.
Os fazendeiros mantêm propriedades e criação de gado na região. Assim, os encontros da família de Chico Mendes com os assassinos são comuns, em praça pública, em prédios públicos e em bancos. “As fazendas deles só aumentaram nos últimos anos. Todos vivem muito bem, nem enfrentam fila em banco, são clientes preferenciais”, diz Ilzamar, em tom de revolta.
A trajetória de Chico Mendes foi marcada pela luta em defesa da floresta e do fim da exploração dos trabalhadores rurais. Após a desapropriação de uma propriedade de Darly e das constantes ameaças de morte, o líder seringueiro foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos.
CAMPANHA
Desfiliada do PT há três anos, Ilzamar Mendes, viúva do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, faz campanha pela candidatura à Presidência de Marina Silva (PV) no Acre. Sem filiação partidária, embora não esconda sua simpatia pelo PV, Ilzamar critica o uso político da imagem do marido pelo PT e diz que só Marina tem o direito de vincular sua trajetória de vida à luta de Chico Mendes. A viúva revela, em entrevista exclusiva à Agência Estado, que pouco antes do crime, o seringueiro manifestava o desejo de deixar o partido que ajudou a fundar no Estado.
“A política do PT no Acre é feita em cima da luta do Chico. Se ele não tivesse morrido ninguém estaria aí no poder. O PT tomou a luta dele para si”, desabafa a viúva. Ilzamar lembra que o líder seringueiro estava se aproximando de lideranças do PV e cogitava a saída do PT. Segundo a viúva, Chico estava desgostoso com a tentativa de radicalização do movimento em defesa da floresta e dos trabalhadores. “Tinha gente querendo se infiltrar na luta dele. O Chico Mendes defendia a ação pacífica, mas já tinham alguns radicais”, disse.
Ilzamar, que também participou da fundação do PT, conta que tolerou por muitos anos as posições do partido, embora não concordasse com algumas situações. “Muitos se aproveitaram para aparecer após a morte do meu marido”, critica. (Diário do Pará, com informações da AE, de SP)
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