Sexta-feira, 03/09/2010, 04h46
Documento polêmico assinado por interino da Sesma surpreende e tira remédios dos postos de saúde
Um memorando assinado pelo secretário municipal de Saúde em exercício, Mailton Ferreira, obedecendo a uma ordem do titular, Sérgio Pimentel, causou alvoroço ontem nos postos de saúde de toda a cidade de Belém. O documento, endereçado ao chefe do Departamento de Recursos Materiais (DRM), determina que seja “suspenso, a partir do próximo dia 13, todo e qualquer fornecimento de medicamentos e material técnico para todas as unidades, tanto de urgência e emergência e atenção básica”.
Além disso, Pimentel e Ferreira mandam recolher de todas as unidades, também a partir do dia 13, “todo estoque de medicamentos e material dispensado, deixando apenas o equivalente ao consumo para uma semana, excetuando aqueles relacionados com o departamento de urgência e emergência, que deverá ser comunicado antecipadamente àquele departamento”. A determinação é ainda para que não seja recebido
nenhum material técnico nem medicamento de qualquer fornecedor a partir de quarta-feira, anteontem.
Ninguém entendeu a atitude radical da dupla de secretários afinada com o prefeito Duciomar Costa. O que se sabe é que a retirada dos medicamentos dos postos de saúde irá representar o caos no atendimento à população. Para o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde) de Belém, a decisão significa o começo da terceirização de todas as farmácias das unidades de saúde.
A suspensão no fornecimento dos remédios e a ordem para recolher o que resta de medicamentos, para Carlos Costa, coordenador do sindicato, é um duro golpe contra a população pobre, que todos os dias pena nas filas dos postos de saúde. “Nós temos lutado contra a terceirização dos serviços do Samu e agora lutaremos também contra a entrega das farmácias às empresas terceirizadas”, disse Costa.
OUTRO LADO
O secretário em exercício, Mailton Ferreira, não foi encontrado pela manhã e à tarde na Sesma para explicar a decisão tomada de suspender o fornecimento dos remédios aos postos, recolher o que estiver nas farmácias e não aceitar mais a remessa de fornecedores. As funcionárias de seu gabinete disseram que ele estava em reuniões permanentes em locais fora da Sesma.
Atitude revoltou servidores e médicos
Nos postos de saúde a revolta também foi grande quando servidores e médicos tomaram conhecimento da suspensão do fornecimento de remédios, a partir do dia 13. A maioria se dizia surpresa e lamentava que o atendimento nos postos corra o risco de sofrer interrupção por falta de medicamentos.
“Isto é um crime contra a saúde do povo. Devem estar fazendo alguma jogada para beneficiar empresas ligadas ao prefeito”, afirmou o balconista Sandro Ferreira, que tentava ontem pela manhã um consulta na unidade do Jurunas.
No Bengui, Curió, Marambaia e Sacramenta, pessoas ouvidas pelo Diário criticavam o atendimento precário nas unidades de saúde, acrescentando que além de poucos médicos e funcionários da Sesma em número deficiente para atender a demanda há falta constante de medicamentos. Danila Freitas atacou: “o prefeito Duciomar virou as costas para Belém há muito tempo. Ele devia renunciar ao cargo, pois sua gestão é calamitosa”. (Diário do Pará)
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