Sexta-feira, 03/09/2010, 04h39
Aumento em R$ 20 está longe de ser o suficiente para tirar o trabalhador do aperreio
Caso fique mesmo em R$ 538,15, o novo salário mínimo não ajudará em quase nada no orçamento dos trabalhadores. Pelo menos, é o que eles acham. “Isso é uma palhaçada. O trabalhador fica esperando ansiosamente por esse aumento e, quando acontece, eles aumentam R$ 20, que não dá para nada”, diz o mecânico Cláudio Carvalho, que depende de um pouco mais de um salário mínimo para sobreviver.
A bibliotecária Rosemarie Leal recebe mais de um salário e, mesmo assim, ficou indignada com o reajuste. Acompanhamos Rosemarie em uma compra no supermercado e vimos que os produtos básicos para uma família de cinco pessoas ultrapassam a casa dos R$ 200. “Isso porque eu estou comprando só o necessário para quinze dias. Se fosse comprar para o mês todo, seria muito mais”. A bibliotecária diz que mesmo não dependendo de um salário mínimo para se manter, imagina a dificuldade que muitos trabalhadores têm para sobreviver. “Não sei como as pessoas conseguem se manter. Esse aumento é ridículo, chega a ser humilhante para o trabalhador”, finaliza.
Opinião semelhante tem a secretária da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vaneide Ventura. Para ela, esse reajuste é insignificante. “Nós vamos nos reunir com todas as centrais para discutir esse valor. Não vamos aceitar essa proposta”.
DIÁRIA MINGUADA
R$ 17,95. Essa é a quantia que cada trabalhador que recebe um salário mínimo terá para gastar por dia após o
reajuste. “Só de ônibus, eu gasto quase R$ 8, porque pego quatro ônibus. Ainda tenho que botar comida na mesa para os meus filhos”, desabafa a doméstica Elenilde Fonseca.
Assim como a doméstica, outras 1 milhão e 200 mil pessoas estão na mesma situação, já que cerca de 40% da população paraense recebem um salário mínimo. O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Everson Costa, explica que, atualmente, o salário mínimo não compra nada além da alimentação básica. “Cerca de 50% do salário mínimo são usados para a cesta básica. Com certeza, esse reajuste não dará para nada”,
finaliza. (Diário do Pará)
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