Sexta-feira, 03/09/2010, 04h30
O pedreiro Paulo Guimarães da Silva, 33 anos, saiu de casa por volta das 5h30 e se dirigiu ao final da linha dos ônibus que atendem o bairro do Icuí-Guajará, em Ananindeua. Às 7h, o pedreiro e outras dezenas de moradores da área ainda aguardavam a saída de um ônibus. Foi o estopim para um protesto que durou boa parte da manhã de ontem, na rua Jovelino Carneiro.
Usando pedaços de pau, pneus velhos e troncos de árvores, os moradores fizeram uma barreira a qual atearam fogo e bloquearam a passagem de veículos. Alguns dos ônibus que se encontravam no final da linha do Icuí-Guajará/Ver-o-Peso e Icuí/Presidente Vargas foram danificados pelos manifestantes.
A polícia foi acionada e viaturas da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) e do policiamento ostensivo foram deslocadas para o local para conter os ânimos. A presença da polícia irritou algumas pessoas. “Não somos bandidos. Estamos fazendo isso porque é um direito nosso. Por uma situação absurda que temos de passar todos os dias”, disse Maria Guilhermina Soares, atendente comercial.
Outros moradores relataram a dificuldade para se conseguir entrar em um dos 28 ônibus disponibilizados pela empresa Viação Forte nos horários de pico, principalmente pela manhã. Os problemas da população foram repassados ao comandante do policiamento do bairro e ao gerente da empresa Forte, André Dias.
André ouviu atentamente as críticas dos moradores e se comprometeu a atender a demanda de reclamações para melhor atender a população do bairro. “Vamos colocar mais quatro ônibus nos horários de pico. Estamos fazendo um trabalho forte no Icuí. Os motoristas e cobradores são todos novatos e vamos investigar qualquer problema denunciado: ‘queima’ de paradas ou mau atendimento aos usuários”, explicou o gerente de transportes.
BURACOS
Os populares também reclamaram das condições das vias de acesso ao bairro. André retrucou dizendo que a própria empresa tem feito o reparo de alguns pontos que se encontram precários. “Nós compramos pedras e colocamos asfalto em alguns lugares. Nós, e não a prefeitura. Nós também temos interesse em melhorar as condições de algumas dessas ruas”, disse Andre.
Após a conversa com o representante da Viação Forte, os manifestantes encerram o protesto sob a promessa de que, a partir de hoje, o número de ônibus que atendem o bairro vai aumentar nos horários de pico. Pela manhã, entre 5h e 8h, ao meio-dia e início da noite. “Tem que ter uma solução. O que não pode é continuar desse jeito, com pessoas até desmaiando dentro dos ônibus pela superlotação. Se não melhorar, a gente a gente vai fechar a rua novamente”, disse o morador Raimundo Sérgio de Paula. (Diário do Pará)
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