Quinta-feira, 02/09/2010, 04h52
Estado apresentou 30,3 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2007, enquanto o Brasil ficou em 25,4
A taxa de homicídios no país cresceu 32% em 15 anos, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da publicação “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável de 2010”. De acordo com o estudo, a taxa de mortes por homicídio no país aumentou de 19,2 em 1992 para 25,4 em 2007 (a cada 100 mil habitantes). O Pará apresenta um dos maiores coeficientes de homicídios entre as unidades da Federação, com 30,3 a cada 100 mil em 2007, valor, portanto, superior à média nacional. Deste total, a maioria (55,9) foi de mortes entre homens.
Os maiores coeficientes do país foram registrados em Alagoas (59,5), Espírito Santo (53,3) e Pernambuco (53). O Estado do Rio de Janeiro ocupa o quarto lugar, tendo conseguido reduzir de 50,8, em 2004, para 41,5 óbitos por homicídios por 100 mil habitantes em 2007. Em seguida estão os Estados da região Centro-Oeste (26 a 30,5), o Distrito Federal (29,2) e o Pará (30,3). Todos com coeficientes acima da média nacional.
Outros Estados da região Norte, como Roraima (29,9), Rondônia (27,2) e Amapá (27,0), registram médias acima da nacional. As menores taxas foram registradas nos Estados de Santa Catarina (10,4), Piauí (12,4) e São Paulo, que passou de 28,5, em 2004, para 15,4 óbitos por homicídios por 100 mil habitantes em 2007.
Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, segundo o IBGE. Os especialistas disseram que a mortalidade por causas violentas são as que mais vêm tomando vulto no conjunto da mortalidade no Brasil, principalmente entre os jovens e os homens. Segundo a pesquisa, a criminalidade ocasiona grandes custos sociais e econômicos.
Além das vidas perdidas, muitas vezes prematuras, gera sequelas emocionais nas famílias das vítimas, elevados custos hospitalares e para o controle da violência, e insegurança na população, interferindo negativamente na sua qualidade de vida.
Os estudos mostram que a prevenção é menos onerosa. Ainda segundo o documento apresentado pelo IBGE, estratégias de combate à exclusão social e à pobreza, tais como geração de emprego e renda e inserção no sistema educacional, entre outras iniciativas, poderão contribuir para a redução das taxas de homicí-
dios. “O planejamento e a implementação de uma política nacional de segurança pública, com medidas de curto, médio e longo prazo, precisa integrar diferentes setores governamentais e da sociedade”, informa a publicação.
Segundo o relatório do IBGE, os óbitos por homicí-
dios afetam a esperança de vida, que não é superior devido às mortes prematuras, sobretudo de jovens do sexo masculino. A criminalidade ocasiona, ainda segundo a pesquisa, grandes custos sociais e econômicos.
Só 25% dos domicílios são adequados
Outro dado importante apresentado pela publicação “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável de 2010” diz respeito à forma como a população brasileira vive em sua moradia. Segundo a pesquisa, dos 57,5 milhões de domicílios do Brasil em 2008, 43% eram considerados inadequados para moradia, um total de 24,7 milhões de lares. O Pará mais uma vez tem um dos piores índices do país: apenas 25,5 de seus domicílios são adequados.
São considerados adequados para moradia os domicílios que têm, ao mesmo tempo, abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede coletora ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta e até dois moradores por dormitório, diz o IBGE.
Segundo a publicação, a densidade de moradores por dormitório é um dos indicadores que expressa a qualidade de vida na moradia e, somada à disponibilidade de serviços básicos de infraestrutura, têm influência marcante na saúde e no bem-estar da população.
Abaixo do Pará, a pesquisa mostrou como menores percentuais de domicílios adequados em 2008 os estados Mato Grosso do Sul (21,1%), Amapá (22,5%) e Tocantins (25%). No Distrito Federal, os domicílios adequados chegavam a 78,6% e, em São Paulo, a 77,3% - as maiores taxas.
Por regiões, há um grande contraste entre o Sudeste e Sul com as demais regiões: o melhor índice era observado na região Sudeste (72,5%), seguida da Sul (62,3%). No Nordeste, o índice cai para 40,2%. No Centro-Oeste, ficou em 39,4% e, no Norte, em 28,6%. (Diário do Pará)
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