Quinta-feira, 02/09/2010, 04h08
Grupos foram convidados pelo Instituto de Artes do Pará
A cultura negra está em destaque na XIV Feira Pan-Amazônica do Livro, que presta uma homenagem aos países africanos de língua portuguesa. A convite do Instituto de Artes do Pará (IAP), cinco comunidades remanescentes de quilombos do interior do Estado participam do evento, com apresentações diárias no palco central do Hangar, sempre às 20h.
Criado há cerca de 300 anos em Cachoeira do Piriá, o Quilombo de Camiranga abriu a programação, apresentando o Tambor de Crioula, dança caracterizada pela umbigada. “É a nossa herança dos escravos, que trabalhavam o dia todo. À noite, mesmo cansados, cantavam e dançavam para renovar suas energias”, ensina Páscoa Alves de Macêdo, 64, uma das líderes da comunidade. Ela conta que dança o Tambor de Crioula desde a infância, e não sente dificuldade em repassar essa cultura aos mais jovens. “Tem filho, tem neto, tem marido, tem nora. Nosso grupo é quase uma família”, diz ela. A comunidade é formada por cerca de 650 pessoas e vive basicamente da agricultura, com plantio de milho, arroz e mandioca.
Hoje, o Quilombo de Umarizal, do município de Baião, apresenta o Samba de Cacete, uma variação coreográfica da Dança dos Pauliteiros, de Portugal, em que os dançarinos simulam luta de cacete. No Pará, é possível encontrar esta manifestação nas cidades de Cametá e Baião, em comunidades remanescentes de quilombos do Baixo Tocantins. É considerada a mais bela e tradicional manifestação cultural destes povos. O ritmo começa lento e vai crescendo, acelerado. Possui como marca única a execução nos tambores coadjuvada pelo uso de cacetes.
Amanhã, a programação será encerrada como o Marambiré, apresentado pela comunidade do Quilombo de Pacoval, do município de Alenquer. O Marambiré é a dança dos negros do Baixo Amazonas, praticada em Alenquer desde a libertação dos escravos. É apresentada em forma de cortejo a São Benedito, com danças derivadas do lundu e da catira, culminando com a coroação do Rei e da Rainha do Congo. O Marambiré de Pacoval é considerado o “mais ungido” de inspiração religiosa e o que mais reflete a herança da congada no cenário amazônico. (Diário do Pará)
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