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Segunda-feira, 30/08/2010, 09h10

Feira do Livro investe em artistas populares

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Timbalada na Feira do Livro? Banda Calypso, Jorge Aragão? Muitos certamente questionaram a vinda de tantas atrações nacionais e ficaram se perguntando qual o real objetivo disso tudo. O fato é que a programação musical da 14ª edição do evento gerou burburinho e muita polêmica. No entanto, como todo projeto cultural para um público grande - as 600 mil pessoas esperadas para os dez dias de evento correspondem a 1/3 da população da Região Metropolitana de Belém - é preciso pensar em atrativos. E a música, por ser uma linguagem artística mais popular que a literatura, foi a estratégia escolhida.

Para atrair o público, nada melhor do que estimulá-lo a frequentar o Hangar pelo lado de fora, onde os shows são realizados - assim pensam os gestores da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), responsável pelo evento. Os organizadores acreditam ainda que, participando do evento musical, o público pode ser atraído a participar também da programação literária. A explicação para a vinda da banda baiana, por exemplo, para o show de abertura, é a seguinte: influências africanas no Brasil. E a banda baiana é formada majoritariamente por negros.

Para o secretário de Estado de Cultura, Cincinato Marques de Souza Júnior, o falatório é apenas uma falsa polêmica. “Nós imaginávamos isso. Sabemos que a música chama mais atenção, mas as verdadeiras estrelas da Feira do Livro são os autores, como Mario Prata, Ariano Suassuna, Fernanda Young, Laura Müller, Zuenir Ventura. Além disso, os shows acontecem quando a feira encerra”, diz. “São mais de duas mil horas de programação, que contempla outras linguagens, como teatro e audiovisual”, completa.

O diretor de Cultura da Secult, Carlos Henrique Gonçalves, acredita no potencial indutivo. “Os shows são elementos catalisadores, a música é mais assimilada [do que a literatura] e assim as pessoas acabam descobrindo a feira”, acredita.

Para o vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro, Bernardo Gurbanov, que já participa da Feira Pan-Amazônica do Livro há seis anos, a ideia de conceber um evento de livros e literatura, aliado à programações paralelas, além de estimular a compra de livros, mostra o caráter multicultural desses eventos, e não chega necessariamente a ser um empecilho para a programação literária.

“Não é somente uma espécie de shopping de livros. A programação cultural, com a vinda de autores e shows, tira o foco da questão comercial, e isso me parece positivo, é essencial. Para o autor, o livro só tem sentido se encontra o leitor”, defende.

Ainda de acordo com Bernardo Gurbanov, a Feira Pan-Amazônica do Livro já é a quarta maior do país - ficando atrás apenas de eventos realizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

“Proporcionalmente, esta feira é muito grande, baseada no número de visitantes, com mais de 500 mil pessoas; no volume de negócios, que chegou a R$ 30 milhões no ano passado; e no número de expositores, quase 200. Além disso, é gratuita, você pode vir quando quiser, quantas vezes quiser. O Hangar já está pequeno”, diz Gurbanov.

CRED-LEITURA

O Cred-Leitura, projeto que beneficia os servidores da rede pública de ensino com R$ 200 para a compra de livros, foi um dos destaques durante a solenidade de abertura da Feira. O titular da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Luiz Cavalcante, discursou sobre as mudanças no projeto, anteriormente apenas para os professores que possuíam 200h/aula ou mais, e que agora foi estendido também para servidores e técnicos, contemplando quem possui carga horária de 100h/aula. Este ano, os beneficiados receberam aumento de R$ 50 e cerca de 24 mil servidores públicos estão recebendo o recurso, num total de R$ 4,2 milhões de investimento. Ele disse ainda que em 2011 o valor do benefício deve aumentar para R$ 300.

O projeto é uma parceria com o Banco do Estado do Pará, que disponibiliza na conta do servidor correntista o devido valor, que só pode ser utilizado na Feira Pan-Amazônica do Livro. O secretário também falou sobre o Salão do Livro – que já ocorreu em Tucuruí e Santarém, e ocorrerá também em Marabá.

Inspirado no modelo de crédito para compra de livros criado no Pará, outras feiras e bienais do livro também estão adotando o benefício. Segundo Bernardo Gurbanov, o modelo já se estendeu para outros cinco eventos, como a Bienal do Livro de São Paulo e outras feiras do livro no Ceará, Tocantins e Rio de Janeiro. (Diário do Pará)

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