Sexta-feira, 27/08/2010, 11h14
Sucesso dos anos 80, filme traz filho de Will Smith como protagonista

Os anos 80 tornaram-se fonte de inspiração para Hollywood em 2010. Após a estreia da adaptação cinematográfica da série “Esquadrão Classe A’’ e de “Os Mercenários’’, que reúne alguns dos principais astros da pancadaria do período, chega hoje aos cinemas a nova versão de “Karate Kid’’.
Lançado originalmente em 1984, o longa tornou famosos Ralph Macchio, que deu vida a Daniel Larusso, e Pat Morita, que interpretou o professor Miyagi - pelo papel, ele foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante em 1985.
Na versão de 2010, o protagonista é Jaden Smith, filho de Will Smith, que interpreta o jovem Dre Parker. Na pele do professor de artes marciais, sai Morita e entra Jackie Chan, que foi batizado como Mr. Han.
Para os saudosistas, “Karate Kid’’ mantém vários elementos dos filmes de Larusso e Miyagi. Entre eles, a questão do “bullying’’ -Parker tem dificuldades de se adaptar em uma escola chinesa - e um treinamento de artes marciais bem peculiar. O garoto tem de, durante horas, repetir o movimento de colocar sua jaqueta em um cabideiro. Só para lembrar, no longa de 1984, Larusso precisava encerar um carro e pintar um portão. No final, em um campeonato, Parker tem de vencer um difícil adversário.
Apesar de longo, “Karate Kid’’, de Harald Zwart, é diversão garantida. Há cenas de emoção - ver o frágil Parker apanhando é de cortar o coração -, engraçadas e de luta. No final da história, Parker lança mão de uma ação que remete ao clássico golpe da águia de Larusso.
>> Original de 1984 tinha “bullying” violento
No ambiente escolar, o bullying sempre foi associado àquele aluno valentão infernizando a vida do colega mais fraco. Já no ambiente cinematográfico, desde 1984 “bullying” significa espancar Ralph Macchio. Rapaz, e como ele apanhava! Era chute na cara, soco no estômago, cara na cerca, cara na areia, cara no tatame. Confira parte da pancadaria no YouTube (faça a pesquisa por “The Karate Kid (1984) Trailer”). No final ele ganhava, é claro: afinal, Daniel Larusso (nome do personagem) nada mais era que Rocky, o lutador, em versão teen.Logo os sofredores da vida real (basicamente 100% da população adolescente) se identificaram com o coitado, seja nos EUA ou no Brasil. Conta-se que em meados daquela década multiplicaram-se academias de caratê em São Paulo, mas os institutos de pesquisa, salvo engano, não se debruçaram sobre o fenômeno.
QUANDO A VIDA IMITA A ARTE
O triste é que na vida real, Macchio continuou apanhando. Elizabeth Shue, sua parceira de namoro em “Karate Kid” (mas não nas sequências de 1986 e 1989), se tornou atriz respeitada após “Despedida em Las Vegas” (1995). O mesmo aconteceu com a duplamente oscarizada Hilary Swank, que protagonizou uma inacreditável versão feminina da série em 1994 (“The Next Karate Kid”). Já Macchio, o que andou fazendo no resto dos 80, 90 e 2000? Fez “Karate Kid 2”, “Karate Kid 3” e foi se apagando. Seu últimos trabalhos são televisivos. Apareceu em onze episódios na versão norte-americana de “Betty, a Feia”, “Ugly Betty”. Seu personagem lá se chamava Archie Rodriguez. E, neste ano, atacou de “Law & Order”. Parece que Macchio nunca conseguiu escapar desse tal do bullying.
>>Trintões agora levam seus filhos
O remake “Karate Kid - A Hora da Verdade”, o mais bem-sucedido filme da franquia, está entre os dez longas de maior bilheteria na América do Norte (EUA e Canadá) neste ano. Produzido com US$ 40 milhões (R$ 70 mi), “Karate Kid” rendeu, na região, mais do que quatro vezes o seu custo; no mundo, chegou a faturar quase oito vezes o valor de seu orçamento. O êxito começou pela estreia do filme nos EUA, em 11 de junho. Em seu primeiro final de semana em cartaz, a produção dirigida por Harald Zwart rendeu US$ 56 milhões (R$ 100 mi), o dobro do que o estúdio (a Sony) esperava. “Karate Kid” deixou para trás um concorrente forte, o filme “Esquadrão Classe A” - baseado na série de TV que fez sucesso nos anos 80 -, que custou mais que o dobro e teve menos da metade da arrecadação no mesmo fim de semana. Em todo o mês de junho, “Karate” ficou em segundo lugar entre as maiores rendas de estreia, superado apenas por “Toy Story 3”.
Em uma temporada de verão - para Hollywood, de maio a setembro - que ia de mal a pior, “Karate Kid” foi considerado um sinal de que nem tudo estava perdido. O filme fechou sua renda doméstica em US$ 175 milhões (R$ 310 mi). Até agora, está em nono lugar no ranking de 2010, superando produções como “A Ilha do Medo” (R$ 230 mi), do cineasta Martin Scorsese, e algumas decepções do verão, como “Sex and the City 2” (R$ 170 mi). Em entrevista à Folha em junho, logo após a estreia americana de “Karate Kid”, o analista Paul Dergarabedian, do site Hollywood.com, atribuiu a boa performance ao fato de ser “um ótimo filme de família”.
“Provavelmente os pais que viram o filme original [de 1984] levaram seus filhos para ver esse, e funcionou”, avaliou Dergarabedian, um dos maiores especialistas em bilheteria americana. Para ele, “Karate Kid” “não poderia ter chegado [aos EUA] em momento melhor, porque vínhamos sofrendo com as bilheterias do verão, com tudo estreando abaixo das expectativas”. Resta ver se a performance do filme no resto do mundo se repetirá no Brasil.
- Ator estreou no cinema ao lado do pai
Como o pai, Will, Jaden Smith, 12, é ator, rapper e dançarino. Sua carreira começou aos cinco anos, ao participar da série de TV “All of Us” (“Elas e Eu”).
Aos oito, estreou nos cinemas ao lado do pai, com “À Procura da Felicidade”, que custou US$ 55 milhões e rendeu mais de US$ 300 mi. “Karate Kid” é o seu terceiro longa-metragem. Ele fez também “O Dia em que a Terra Parou”-, e o primeiro no qual é protagonista. O pai e a mãe, a atriz Jada Pinkett Smith, são produtores do filme. (Folhapress)
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