Sábado, 14/08/2010, 07h44
Adolescentes lamentam recentes casos de agressão dentro de colégios
Eles não são especialistas, não se formaram em psicologia e não possuem nenhum título de mestrado ou doutorado. Mesmo assim conhecem, mais do que ninguém, a violência protagonizada pelos jovens nas escolas de Belém. Dizem entender os motivos que levam uma colega a esfaquear a outra e sabem de soluções que, na opinião deles, com certeza, resolveria os problemas de violência nas escolas. Quem são eles? Os nossos estudantes.
O DIÁRIO conversou com estudantes do ensino médio com idades entre 15 e 19 anos, sobre o assunto que tem deixado em muita gente a pergunta: “Por que há tanta violência nas escolas?”. Para Victor Silva, 17 anos, que cursa o 1° ano do ensino médio, a maioria das brigas acontece por “besteiras, disputa de namorado, disputa para saber quem se veste melhor, quem tem mais popularidade”.
O adolescente diz entender o motivo que levou uma jovem a esfaquear a outra, em um colégio particular em Belém, na última quinta-feira (Confira mais no Polícia). “Ela já devia estar guardando uma mágoa há muito tempo. O que ela fez foi uma maneira de revidar”. Uma colega de Victor, Evelin Santos, 15 anos, não concorda e questiona: “Então você acha que só porque ela estava magoada ela tinha motivos para querer matar alguém? Isso não justifica, a atitude que ela teve foi horrível”.
Outros alunos, que também participaram do debate com a equipe de reportagem do DIÁRIO, interferem. “O problema, é que muitos adolescentes fazem o que querem. Hoje em dia, tudo está muito normal. É comum conhecer alguém que tem arma, que já roubou e que até cometeu um crime. Os jovens se acham protegidos, sabem que são ‘de menor’ e que nada vai pegar para eles”, diz Jéssica Silva.
SOLUÇÕES
Os jovens estudantes também apontam soluções para o problema. “Muitas escolas não oferecem um acompanhamento para os estudantes. Seria legal se em todas tivesse um serviço psicológico para os alunos”, diz Evelin.
Na opinião de Jéssica, o ideal seria envolver os pais dos estudantes nas atividades da escola. “Muitos pais não conversam com os filhos dentro de casa, seria bom se eles fossem até as escolas para se aproximar”. Já para Victor, atividades como gincana, feiras da cultura e competições, poderiam acontecer com mais frequência. “Essas atividades aproximam os alunos e fazem com que eles se afastem de coisas erradas”, avalia.
A psicóloga Niamey Ghanhen, especialista em psicologia familiar, concorda, em parte, com os depoimentos dos adolescentes. Segundo ela, os pais têm, sim, que participar das atividades escolares e a escola deve oferecer apoio psicológico e desenvolver projetos que visem o desenvolvimento dos estudantes.
NOTA OFICIAL
Mozart Freire, um dos diretores do Colégio Opção, que sofreu anteontem com um dos casos de violência entre estudantes, esteve, ontem, na redação do DIÁRIO para falar sobre o assunto. Ele se mostrou bastante chocado com o caso e espera das autoridades uma resposta rápida com relação à violência que assola as escolas. “Estamos indignados, assim como toda a sociedade”, disse. A seguir a íntegra da nota divulgada pelo Colégio Opção:
“O Colégio Opção, assim como toda a sociedade, está indignado e estarrecido com a violência dentro das escolas e vem tomando medidas preventivas e esclarecedoras como palestras e reuniões que abordam esses atos dentro das instituições, como o ‘bullying’ e a violência como um todo na sociedade. Tanto que teve como tema de feira de ciências o seguinte título: “Paz sempre, violência jamais”.
Com relação à violência ocorrida no Opção Unidade Jurunas, todas as medidas de socorro à aluna vítima de agressão foram tomadas em tempo hábil. Assim como as prestações de esclarecimento às autoridades policiais. O colégio Opção também está tomando medidas administrativas internas com relação à aluna agressora e aguarda das autoridades competentes as medidas legais referente a este caso.
13 de agosto de 2010”. (Diário do Pará)
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