Arrecadação cobre perdas da CPMF
IMPOSTO Tributo pago por empresas e aumento
de emprego formal provocam aumento da receita
O crescimento da arrecadação federal
nos sete primeiros meses do ano, em termos reais, ou seja, descontada
a inflação oficial pelo Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA), equivale aos recursos perdidos com
o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF). Segundo os números divulgados ontem pela
Receita Federal, as receitas da União somaram R$ 396,9 bilhões
de janeiro a julho, R$ 40 bilhões a mais que os R$ 356,9
bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
A alta na arrecadação corresponde exatamente ao prejuízo
projetado pelo governo para todo este ano, com o fim do imposto
dos cheques. O secretário-adjunto da Receita Federal, Carlos
Alberto Barreto, no entanto, negou que o governo seja conservador
nas estimativas de receita.
Segundo Barreto, o aumento do lucro das empresas, provocado pelo
crescimento econômico, foi o principal responsável
pelo fato de as receitas superarem as previsões neste ano.
Ele disse ainda que o governo não foi precipitado ao calcular
o impacto da extinção da CPMF, época em que,
devido a uma crise internacional, não era possível
antever os efeitos do fim desse tributo na economia.
A arrecadação dos recursos administrados pela Receita
subiu 10 36% no acumulado de janeiro a julho, percentual que deve
se manter até o fim do ano.
Até junho, a alta acumulada era de 9,93%. Essa elevação
no crescimento, de acordo com a Receita, foi provocada principalmente
pelo aumento real de 39,5% na arrecadação no Imposto
de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além do crescimento
do emprego formal. Somente de janeiro a julho, a arrecadação
previdenciária subiu 12,44%, mais que a alta de 9,55% na
receita dos demais tributos.(Agência Brasil)
REGISTRO
Indústria debate exigência da UE
BRASÍLIA, DF (Agência Brasil) - O
Regulamento para Registro, Avaliação, Autorização
e Restrição de Produtos Químicos (Reach, na
sigla em inglês) foi apresentado ontem a representantes da
Confederação Nacional da Indústria (CNI),
da Associação Brasileira da Indústria Química
(Abiquim) e do Instituto Brasileiro de Mineração
(Ibram).
Em reunião na sede da Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp), os empresários foram
orientados sobre a necessidade de conhecer e implantar em seus
empreendimentos o Reach, que estabelece a legislação
para substâncias químicas da União Européia.
Com a exigência, todas as empresas exportadoras de produtos
que contêm as substâncias determinadas pela lei terão
de registrar cada item para que possam exportá-los. O Reach
entrou em vigor em junho do ano passado, e as empresas têm
prazo até 10 de dezembro para registrar os itens. Os produtos
sem tal registro terão as portas fechadas pela União
Européia. A exigência atinge exportações
a partir de uma tonelada ao ano, mas pode abranger quantidades
menores.
Segundo a coordenadora da Comissão de Regulamentação
e Gestão de Produtos da Abiquim, Nícia Mourão,
pode haver uma diminuição das exportações
se as empresas não tiverem consciência de que existe
o Reach e não se registrarem. “O questionamento maior é onde
encontrar mercados tão bons quanto os europeus, que são
os maiores compradores de substâncias químicas do
mundo e pagam muito bem”, ressaltou Nícia.
De acordo com ela, o custo de obtenção do registro é alto,
mas as empresas poderão formar grupos e compartilhá-lo.
Quem exporta em menor quantidade terá uma incidência
de valor menor do que quem exporta em maior quantidade. Os cálculos
indicam que, para obter os estudos e dados completos para elaborar
o registro, o custo ficará em torno de 2,8 milhões
de euros.
SOJA
Produtor terá que esperar para negociar
SÃO PAULO, SP (AE) - Diante do recuo dos
preços da soja no último mês, o produtor deve
segurar a comercialização antecipada da soja neste
ano. “O produtor está partindo de uma safra com custos
muito elevados e vai segurar a comercialização do
grão até encontrar uma resposta melhor de preços”,
afirma Fernando Pimentel, sócio da Agrosecurity.
“
O atraso nas vendas assusta o produtor, mas assusta ainda mais
a indústria que trabalha com estoques”, explica o
consultor. O levantamento realizado pela Agrosecurity, feito em
parceria com o serviço meteorológico Climatempo,
mostra que comercialização antecipada, muito comum
no Centro-Oeste, está muito atrasada por conta deste cenário
de volatilidade nos preços da commodity na bolsa de Chicago.
Na avaliação de Pimentel, o setor passa por uma fase
de transição depois de enfrentar problemas para captar
recursos em meio à redução da oferta de crédito
nesta safra e a saída da Agrenco. O consultor considera
que alguns produtores para ter recursos no período pré-colheita
poderão recorrer ao sistema financeiro, mesmo com os juros
mais elevados.
DÍVIDA
União perdoa débito de contribuintes
BRASÍLIA, DF (AG) - O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva encaminha ainda em setembro medida provisória
de Lei que perdoa dívidas da população com
a União, que somam até R$ 10 mil individualmente
e que foram contraídas antes de 2002.
A comunicação foi feita ontem (19) na reunião
do Conselho Político, no Palácio do Planalto. A medida
beneficiará 2,1 milhões de contribuintes e significará um
perdão de R$ 3,6 bilhões em dívidas anteriores
a 2002, de um total de R$ 3,1 trilhão.
As dívidas posteriores a 2002 serão tratadas em projetos
de lei que estabelecerão novos modelos de negociação.
A idéia é que essas negociações sejam
conduzidas, diretamente com os devedores por instituições
financeiras federais como Banco do Brasil ou Caixa Econômica
Federal. Segundo o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande
(ES), o objetivo é estabelecer uma negociação
amigável com os pequenos devedores.
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