Transporte escolar ganha R$ 600 mi
INVESTIMENTO
Lula libera verbas para Estados, municípios e microempresários
comprarem ônibus
O
governo federal lança hoje mais uma das ações
do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o programa
Caminhos da Escola, de transporte escolar. Serão investidos
R$ 600 milhões em linhas de financiamento do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que prefeituras,
Estados e também microempresários possam comprar ônibus,
vans e embarcações para serem usadas exclusivamente
no transporte escolar.
Os veículos terão uma padronização,
tanto em normas de segurança, pedidas pelo governo ao Instituto
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
(Inmetro), quanto na aparência. Pintados de amarelo e preto,
com a palavra “Escolar” escrita dos lados, os ônibus
lembram os tradicionais veículos escolares dos Estados Unidos,
mas no formato de ônibus modernos normais.
A padronização na aparência foi um pedido do
próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que
disse ao ministro da Educação, Fernando Haddad, que
gostaria de ver o Brasil com um sistema semelhante para atender
as crianças. Hoje, durante a cerimônia, o presidente
vai visitar um dos ônibus já padronizados.
ZONA RURAL
- Os recursos reservados a municípios e Estados são
exclusivamente para compra de veículos para transporte de
alunos da zona rural, cerca de 8,4 milhões de estudantes.
Será, na verdade, o Ministério da Educação
- através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
(FNDE) que fará um pregão eletrônico nacional
para a compra, calculada em 300 mil veículos novos.
Com o pregão, prefeituras e governos estaduais já
terão o preço previsto para o veículo e receberão
o financiamento desse valor. Com a isenção de impostos
prevista no programa - do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS),
Programa de Integração Social (PIS), Contribuição
para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) - e a compra em larga escala, a
previsão é de preços muito mais baixos do que
os de mercado. Além disso, a possibilidade de desvios e superfaturamento
das compras será menor.
AVULSOS
- A outra parte do financiamento do BNDES será direcionado
a pessoas ou empresas que trabalham hoje com transporte escolar,
mesmo que não seja para escolas públicas. Os ônibus
terão a mesma padronização dos comprados pelo
setor público. A intenção do MEC é que
todos os veículos de transporte escolar do País tenham
o mesmo padrão, incluindo a pintura. (BRASÍLIA-DF
- AE)
Lisandra Paraguassú
RECADASTRAMENTO
Ministério chama rádios e TVs
BRASÍLIA-DF
(AE) - O Ministério das Comunicações decidiu
recadastrar todas as emissoras comerciais de rádio e televisão
do País. Uma portaria publicada ontem no Diário Oficial
da União dá 60 dias de prazo para as empresas detentoras
da concessão apresentarem ao Ministério dados da composição
acionária e de seus diretores. A medida vai envolver cerca
de 5 mil emissoras, entre geradoras de TV e rádios AM, FM,
ondas curtas e ondas tropicais.
A idéia é formar um banco de dados atualizado sobre
a radiodifusão. A assessoria de imprensa do Ministério
negou que a medida tenha qualquer relação com as denúncias
de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tenha
utilizado laranjas para a compra de duas emissoras de rádio
em Alagoas.
O recadastramento, segundo a assessoria, faz parte de um processo
de modernização do ministério que já
vem sendo implantado há alguns meses. Estima-se que haja
cerca de 70 mil processos nos arquivos das Comunicações,
seja de emissoras já autorizadas ou de pedidos de novas outorgas.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, já
manifestou a intenção de digitalizar todo o sistema,
mas para isso é necessário um investimento de R$ 15
milhões, dinheiro que não está disponível.
Há dois meses, deputados da Comissão de Ciência
e Tecnologia da Câmara apresentaram a Hélio Costa um
documento com sugestões para dar mais celeridade e transparência
aos procedimentos adotados pelo ministério na análise
dos pedidos de concessão e de renovação de
outorgas de rádio e TV. Entre as sugestões está
a de colocar à disposição da sociedade um banco
de dados atualizados sobre os detentores das emissoras.
Para fazer o novo cadastro, além de informar a composição
do capital social da emissora, a empresa que detém a concessão
terá que apresentar documentos sobre a participação
individual dos sócios, com o número de cotas de cada
um deles. O ministério quer saber ainda quem compõe
a direção da rádio ou da emissora de TV e se
há procuradores com poderes de gerência e administração.
No recadastramento, deverá ser informado também o
endereço da sede social e o nome fantasia da emissora. Os
dados terão de ser encaminhados à Secretaria de Serviços
de Comunicação Eletrônica do Ministério,
em Brasília. As emissoras deverão apresentar cópia
de documentos em que constem a última alteração
contratual e eventuais transferências de cotas e mudanças
de diretores. Quem não fizer o novo cadastro no prazo de
60 dias estará sujeito à abertura de processo de infração,
que pode resultar em punição, inclusive multa.
INFORMATIZAÇÃO
Abert apóia
iniciativa
A Associação Brasileira de Emissores de Rádio
e Televisão (Abert) informou ontem que apóia a decisão
do Ministério das Comunicações de promover
o recadastramento das empresas de radiodifusão do País.
O presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero, afirmou que o recadastramento
servirá para informatização do sistema de registros
e para maior agilidade no controle e nas consultas. “O setor
vê com bons olhos a iniciativa do Ministério das Comunicação
e apóia a medida, pois ela tem como objetivo fazer um sistema
online de cadastro das emissoras”, disse Slaviero. (AE)
PILOTOS
Airbus estava em condições de vôo
SÃO PAULO-SP
(AE) - O comandante Fábio Molina Pirolla, 32 anos, e co-piloto
Antonio José e Silva, 36, que pilotaram o mesmo Airbus A320
da TAM na manhã da tragédia que vitimou 199, prestaram
depoimento, ontem à tarde, no 27.º DP (Campo Belo).
Eles seguiram a mesma linha dos colegas que foram intimados anteriormente
pela polícia: afirmaram que a aeronave estava em perfeitas
condições de vôo e que a pista do Aeroporto
de Congonhas ficou mais escorregadia depois da reforma.
Os funcionários disseram que antes da reforma, em dias de
chuva, a pista de Congonhas era escorregadia. E que depois da reforma,
a pista ficou um “sabonete”. Também criticaram
a liberação da pista sem o “grooving”
(ranhuras).
O comandante ressaltou ainda que numa pista como a de Congonhas
é indispensável o “grooving”. E que a
aeronave, mesmo operando com o reverso direito “pinado”
(travado), tinha plenas condições de vôo.”
Em depoimento, os pilotos contaram que a aeronave estava em boas
condições de uso e que a pista de Congonhas ficou
mais escorregadia depois da reforma. Basicamente o mesmo que contaram
os colegas em depoimentos anteriores”, disse o delegado-titular
Antonio Carlos Menezes Barbosa. No dia do acidente, Pirolla e Silva
utilizaram a aeronave para realizar o vôo 3590 que saiu de
Campo Grande (MS) com escala em Goiânia com destino em Brasília.
O comandante contou que pousaram no Distrito Federal às 8h
e que não teve nenhum problema com a aeronave . O comandante
ainda falou que entregou o avião para a equipe de manutenção
da empresa sem relatar qualquer tipo de “problema”.
INDÚSTRIA DO FUMO
Promotor público move ação bilionária
SÃO PAULO-SP
(AE) - Os dois maiores fabricantes de cigarros do País, a
Souza Cruz e a Philip Morris Brasil, se tornaram os principais alvos
de mais uma ação pública de indenização
decorrente dos prejuízos causados pelo cigarro a fumantes
ativos e passivos. A petição, que obrigaria as duas
empresas a ressarcir municípios, Estados e o DF pelos gastos
com saúde a tratamentos contra o tabagismo, foi movido pelo
promotor João Lopes Guimarães Júnior e é
a segunda ação deste tipo em apenas seis meses. Em
fevereiro, ambas empresas foram obrigadas, em decisão em
primeira instância da 19º Vara Cível de São
Paulo, a indenizarem todos os fumantes do Estado, como resultado
de uma ação coletiva proposta pela Associação
de Defesa da Saúde do Fumante (Adesf). O valor da ação
era estimado em R$ 30 bilhões. Os fabricantes recorreram
e o processo aguarda julgamento no Tribunal de Justiça de
SP (TJ-SP). O autor da nova proposta, membro da Promotoria do Consumidor
de São Paulo, afirma que qualquer dano aos fumantes ou não-fumantes
é responsabilidade exclusiva dos fabricantes de cigarros.
Segundo o promotor, que se baseia no Novo Código Civil brasileiro
para mover a ação, “quando alguém desenvolve
uma atividade que cria risco para terceiros, assume uma responsabilidade,
e, em caso de dano, é obrigado a indenizar os danificados”.
Por meio de nota, os fabricantes esperam a intimação
oficial do Ministério Público antes de prestar qualquer
esclarecimento. Em nota divulgada ontem, a Souza Cruz afirma apenas
que “a comercialização de cigarros no Brasil
é atividade lícita” e “que os riscos associados
ao consumo de cigarros são de amplo conhecimento público
há décadas”.
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