O olhar de um amazônida
VISUAIS
Exposição que reúne
obras do artista Yoshio Yamada abre hoje
O
fundador do Grupo Y. Yamada, Yoshio Yamada, terá suas
obras expostas no Museu da Universidade Federal do Pará (Ufpa),
na exposição Olhar de um Amazônida, que conta
com a curadoria de Jussara Derenji. Os visitantes serão
recebidos logo na entrada com um auto-retrato do artista homenageado.
“
As obras são desenhos e pinturas. Alguns desenhos guardam
traços dos tradicionais desenhos japoneses, além
dos desenhos e poesias, que também são outra forma
de expressão da tradição japonesa”,
disse Jussara Derenji.
A vernissage acontece hoje, a partir das 20h. Porém, o público
poderá ver as 37 obras do artista, além de outras
telas que são propriedade da família Yamada, de segunda
a sexta, das 9h às 18h; e sábados, domingos e feriados,
das 9h às 14h.
“
Além de mostrar o Yoshio como um artista, também
vamos mostrá-lo como colecionador. Serão expostas
três obras do artista Tadashi Kaminagai, que veio para Belém
refugiado da guerra e foi uma grande influência para Yoshio”,
disse a curadora.
Em suas telas são retratadas as lendas e os costumes da
população regional. Segundo sua neta Márcia
Yamada, as cores fortes, como o vermelho, o amarelo e o azul eram
predominantes em suas obras. “Como ele era apaixonado pela
terra que o acolheu, a maioria das obras retratavam o pôr-do-sol,
o círio, os rios e os ribeirinho. Poucas mostravam a cultura
dele”, disse Márcia.
Para Jussara Derenji são exatamente essas obras a parte
mais interessante do trabalho de Yoshio Yamada. “Na década
de 40 Yoshio foi preso por conta da guerra e no período
em que ficou no presídio São José, ele começou
a desenhar. Como não tinha telas e tintas, desenhava com
carvão nas paredes, retratando seus colegas de sela e paisagens.
Porém, suas obras mais expressivas começaram a ser
feitas quando já tinha uns 60 anos e começou a retratar
paisagens regionais”, explicou Jussara Derenji.
A exposição, além de integrar-se nas programações
alusivas aos 100 anos da imigração japonesa ao Brasil,
também homenageia os 35 anos da morte do pintor e o aniversário
de 58 anos de fundação do Grupo Y.Yamada no Pará,
comemorado no último dia 16 de agosto.
O interesse de Yoshio pela arte ficou restrito, ou pelo menos sem
divulgação, até 1957, quando expôs pela
primeira vez na mostra internacional no Salão Mitsukoshi,
em Tóquio, onde recebeu a medalha de ouro com a obra Feira
do Ver-o-Peso. Yoshio concorreu com mais de dois mil artistas.
A partir daí, seguiram-se várias exposições
pelo Pará, Amazonas (Biblioteca Pública do Amazonas)
e Rio de Janeiro (Copacabana Palace e Clube Industrial). Outras
obras premiadas foram: São José ao Nascer do Sol,
Mangueiras de Nazaré e Nascer do Sol na Amazônia.
A cultura popular dos amazônidas, mas precisamente dos paraenses,
sempre foi a fonte de inspiração do artista.
O segundo andar do antigo Palacete Montenegro, onde acontecerá a
exposição, será aberto ao público pela
primeira vez, graças à instalação de
um elevador, doado pelo Grupo Yamada. O recurso permitirá o
acesso também dos portadores de necessidades especiais,
que poderão conferir toda a complexidade da mostra.
Natália
Viggiano
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